- China prometeu comprar mais atemoyas, aumentando a tensão com Taiwan, que é importante fornecedora desse fruto para o mercado chinês.
- O ministério da Agricultura de Taiwan classificou a ação chinesa como um padrão de “levantar, prender, destruir”, citando banos anteriores a pomares taiwaneses e novas tarifas em 2024 sobre a fruta.
- Um fórum em Xiamen, no continente, contou com empresários e políticos de Taiwan e discutiu ampliar compras de exportações taiwanesas, incluindo atemoyas, mesmo com o ban de participação do governo central de Taiwan.
- Taiwan diz que as medidas da China causam instabilidade no setor e que o cultivo chinês de atemoyas aumenta a concorrência, reforçando a necessidade de desenvolvimento sustentável e diversificação de processamento.
- A reação política em Taiwan incluiu críticas de algumas figuras da oposição, acusando o governo de politizar o tema, o que intensifica o debate sobre o impacto na lavoura local.
A Taiwan alerta para possíveis atritos com a China envolvendo as atemoyas, fruto híbrido da fruta-tamaringa. Iniciativas brasileiras de importação devem aumentar as compras, segundo anúncios de Pequim, enquanto Taiwan reage com cautela e avalia impactos aos agricultores locais. O caso envolve exportações entre os dois lados do Estreito e o uso estratégico de seções de comércio.
A atemoya é uma fruta cultivada com sucesso no condado de Taitung, em Taiwan, conhecida pela polpa cremosa. A China, importadora relevante deste produto, havia indicado, no início do mês, planos de ampliar as aquisições no mercado taiwanês.
Nesta semana, o Ministério da Agricultura de Taiwan descreveu a movimentação chinesa como parte de um “processo de criar dependência, depois impor mudanças de mercado”, argumentando que tais medidas afetam a estabilidade da indústria local. Pequim afirma ter a soberania sobre Taiwan.
Histórico de tensões comerciais registra episódios anteriores: em 2021, a China suspendeu as importações de abacaxis taiwaneses por preocupações fitossanitárias. Em 2023 houve retorno parcial; em 2024, a China impôs tarifas sobre as atemoyas.
O começo do debate sobre a exportação taiwanesa ocorreu após um fórum em Xiamen, no litoral, onde empresas chinesas manifestaram intenção de ampliar as compras de exportações taiwanesas, incluindo peixe e chá. Participaram empresários e alguns políticos de Taiwan, mesmo com a proibição oficial de participação do governo central.
O Conselho de Assuntos Mainland de Taiwan informou que pode investigar dirigentes que estiveram no Fórum. O ministério da Agricultura sinalizou foco em desenvolvimento agrícola sustentável e renda estável para os produtores, com incentivo à diversificação de processamento da atemoya, como produtos congelados, purês e vinhos.
A oposição, representada pelo Kuomintang, critica o tom do governo e teme politização do tema, afirmando que isso pode prejudicar os agricultores locais. O prefeito de Taipei, Chiang Wan-an, acusou o órgão de intimidar produtores e usou a expressão de que a fruta é “uma joia da ilha”.
A situação envolve ainda a expansão de cultivo de atemoyas na China, que pode representar competição futura para a produção regional de Taiwan. Analistas ressaltam que a disputa não é apenas econômica, mas também um componente de pressões estratégicas entre as duas partes.
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