- Keir Starmer herdou dois conflitos e um país afastado da União Europeia, e a relação com os Estados Unidos dominou seu governo, chegando a mudar conforme o tempo.
- No início, Starmer cultivou uma relação relativamente próxima com o ex-presidente Donald Trump, incluindo o envio de um convite para visita de Estado; houve uma visita ao Oval Office em fevereiro de 2025 e, em setembro, Trump não participou diretamente de Londres.
- A visita de Zelensky a Washington e, depois, a Londres destacou o apoio britânico a Kyiv, em meio a pressões de Washington sobre a Ucrânia e a Rússia.
- A crise com o Irã, após ataques americanos e israelenses, levou Starmer a fugir de envolvimento direto nos bombardeios, mantendo bases britânicas apenas para ataques a alvos de mísseis iranianos; Trump criticou a prudência britânica.
- Em política externa, o governo reconheceu a Palestina como estado; houve avanços limitados com a China, incluindo uma mega embaixada, e Starmer mostrou esforço para um reset com a União Europeia, sem reverter o Brexit; na defesa, houve aumento discreto de gastos e a renúncia do ministro da Defesa, John Healey, em meio a disputas sobre o orçamento.
Keir Starmer herdou dois conflitos e um país afastado da UE, em meio a uma guinada na relação com os EUA após a eleição de Donald Trump. A prioridade de política externa passou a depender de um eixo inegável, mas com turbulências crescentes na aliança transatlântica.
No início, o premiê capitalizou uma breve sintonia com Trump, inclusive ao entregar, publicamente, um convite para uma segunda visita de Estado ao presidente. A visita de setembro passado mostrou distensão, com divergências sobre o estatuto da Palestina pouco delineadas publicamente.
Durante encontros em Washington, Kyiv e Londres, Starmer buscou demonstrar apoio à Ucrânia sem abrir mão de cautela em relação a uma ofensiva militar iniciada por Trump. A posição britânica foi de condenação à agressão russa, porém sem alinhamento automático a todas as medidas de Washington.
Relação com Trump
Trump criticou a disposição de Starmer de não se envolver diretamente na ofensiva iraniana. O premiê manteve o foco na defesa dos interesses britânicos, afirmando que a decisão de não atuar de imediato estava alinhada com a avaliação de segurança nacional. A tensão entre Londres e Washington ficou explícita em discussões sobre bases aéreas.
O equilíbrio entre manter o relacionamento com o governo americano e evitar uma escalada foi destacado por analistas. Um ex-embaixador britânico opinou que a política externa de Starmer teve força, mas a falta de consulta a aliados limitou o espaço de manobra diante de Trump.
Orçamento de defesa e presença militar
O governo reconheceu a necessidade de ampliar gastos militares, porém manteve aumentos modestos. Em 2027, a defesa apontou crescimento para 2,6% do PIB, com cortes de outros setores, o que gerou controvérsia interna e a saída do secretário de Defesa, em meio a debates sobre o tamanho da intervenção britânica no cenário internacional.
Ao longo do ano, a atuação britânica expôs limitações do poderio nacional, com questões logísticas, como a demora para redirecionar uma única fragata ao Mediterrâneo após um ataque de drones, e a decisão de encerrar uma missão de mineiros no Golfo, ressaltando a redução das capacidades militares desde o fim da Guerra Fria.
Relações com a UE, Israel e Palestina
Starmer tentou um reset com a UE, mantendo o país fora do mercado único e da aliança de livre movimentação, sinalizando continuidade do Brexit. Em Israel e Palestina, a posição de Labour oscilou entre medidas diplomáticas restritas e reconhecimento da Palestina como Estado, sem impacto decisivo nas políticas regionais.
A classificação palestina foi anunciada como reconhecimento por parte do governo britânico, acompanhado de reações internacionais diversas. A estratégia interna refletiu esforços de governo para equilibrar pressões políticas domésticas e a continuidade de uma postura externa pragmática.
Conclusões operacionais
Mesmo com voos diplomáticos para trás e frente, o governo enfrentou dificuldades para consolidar uma política externa coesa. A pressão para aumentar o orçamento de defesa encontrou resistência interna, refletindo dúvidas sobre a capacidade de resposta britânica em um cenário internacional mais volátil.
A relação com a liderança norte-americana permaneceu marcada por disputas pontuais, sem ruptura total, mas com perda de confiança em temas-chave como o papel de Washington na segurança europeia e no Oriente Médio.
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