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Agricultores tailandeses temem problemas hídricos com usina de LNG planejada

Fazendeiros temem que a usina de LNG Burapa agrave a escassez de água em Chachoengsao, pois consumo diário de até 12 mil m³ pode comprometer lavouras locais

A fisher offloads gear in front of a liquefied natural gas (LNG) terminal operated by state-owned energy company PTT Public Company Limited at the Map Ta Phut Industrial Port in Rayong province, Thailand, on Wednesday, Feb. 4, 2026. Once completed, the Burapa power plant will receive natural gas via pipeline from a terminal at the port. Image by Andy Ball for Mongabay.
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  • Agricultores de Phanom Sarakham dependem de canais para irrigação; há preocupação com a escassez de água e risco para a colheita de durian prevista para 2026.
  • O Burapa é um parque industrial que abriga a planta de gás natural liquefeito (LNG) com capacidade de 600 MW, que exigiria até 12.000 m³ de água por dia.
  • Dados da EIA de 2021 e de estudo de 2024 associam esse consumo à água usada por dezenas de milhares de moradores, em meio a região com risco de seca considerado médio-alto.
  • Comunidades locais e redes de moradores mobilizam-se há anos contra o projeto, com marchas a Bangkok e ações legais envolvendo a EGAT.
  • O governo mantém planos de expansão de LNG e monitoramento ambiental, enquanto agricultores alertam que o aumento do consumo de água e da poluição podem agravar problemas já existentes.

O que acontece: moradores de Chachoengsao temem que a usina de LNG Burapa agrave a escassez de água e a poluição atmosférica em meio à expansão industrial na região. A preocupação surge em torno do consumo diário de água da usina, estimado em 12 mil m³, conforme avaliação de impacto ambiental de 2021.

Quem está envolvido: produtores rurais como Suphut Hom Chunthit, que opera uma plantação de durian em Phanom Sarakham, e organizações locais, como a Chachoengsao RE-Power, que se opõe ao projeto. A Burapa Power Plant é desenvolvida pela Gulf Energy Development e National Power Supply, com apoio de outras empresas.

Quando e onde: os relatos acontecem em Phanom Sarakham, região de Chachoengsao, leste da Tailândia. A produção agrícola já enfrenta estiagens sazonais, com dados recentes destacando riscos médios a altos de seca para o distrito.

Por que isso importa: a água necessária para a planta seria de até 12 mil m³/dia, equivalente ao consumo de quase 49 mil moradores segundo estudo de 2024. Há preocupações de que a demanda de água para indústria reduza o abastecimento para agricultores locais.

A pressão das usinas e o abastecimento

Em Tha Lat e redes de canais, agricultores dependem do Yang Deng e de romeiros de água que alimentam fazendas e o parque industrial 304. Quando há escassez, parte do recurso sai para as indústrias, antes de chegar aos produtores.

Dados mostram uso industrial de água que, em 2024, atingiu 50 milhões de m³/ano no subbacia Tha Lat, superando a capacidade estimada de 754 milhões de m³/ano para a região. Grupos locais projetam demanda acima de 919 milhões de m³/ano até 2034.

A expectativa de construção de reservatórios para a Burapa não resolve o problema de curto prazo. O projeto prevê um reservatório de 46.055 m³, suficiente para poucos dias de operação em situações críticas, indica a EIA.

Histórico de resistência e denúncias

O movimento local descreve uma trajetória de 18 anos de oposição a projetos de energia na região. Em 2019-2020, comunidades lutaram contra planos anteriores de carvão e pediram avaliações de impacto à saúde pública.

Relatos de protestos incluem a marcha de 125 km até Bangkok, em 2025, para entregar uma petição ao Comitê de Política Energética. Ativistas destacam impactos de água, ar, agricultura e saúde na comunidade.

Ar, saúde e economia local

Com o parque industrial alimentando mais fontes de poluição, moradores relatam poeira fina que cobre plantações e afeta a saúde. Estudos apontam mortes prematuras associadas à poluição do ar no país, sendo a região um foco de preocupação.

A produção de mango e outras culturas locais também depende da qualidade do ar. Dados de autoridades indicam áreas com agroindústria próximas a zonas ambientalmente sensíveis, elevando o debate sobre monitoramento.

Panorama energético e consequências

A Tailândia já opera com várias usinas na região e explora o LNG como transição energética. No entanto, críticos alertam para o risco de prender o país a combustíveis fósseis, dificultando metas de expansão de renováveis.

Autoridades defendem que negociações com envolvidos continuam. A EGAT afirma que há diálogo em curso sobre o corredor de transmissão e o acordo de uso de terras para a linha de transmissão.

A comunidade mantém a visão de que a demanda adicional de água pela Burapa pode agravar a escassez, afetando irrigação, produção agrícola e qualidade de vida na região.

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