- Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo vão à audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na segunda-feira, 6 de julho, para defender que as acusações dos EUA contra o Brasil são injustas e cobrar cautela com tarifas.
- O USTR terminou a investigação em 1º de junho e sugeriu aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando políticas e práticas irrazoadas que oneram o comércio com os EUA.
- Entre as acusações, estão supostas ordens secretas de tribunais brasileiros para remover conteúdos políticos de plataformas americanas e favorecer o Pix, além de falhas no combate à corrupção, à falsificação e ao desmatamento ilegal.
- No documento ao USTR, Figueiredo atribui as acusações ao governo petista e ao STF, defendendo que uma sobretaxa atingiria exportadores, trabalhadores e consumidores dos dois países e sugerindo sanções direcionadas.
- O alvo político é que a sobretaxa ajudaria Lula na campanha de 2026; há ainda o argumento de que sanções podem aproximar o Brasil da China, o que seria desfavorável aos EUA.
Em audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) na próxima segunda-feira, 6 de julho, Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo defenderão que tarifas contra o Brasil fortalecem Lula e aproximam o país da China. O material foi encaminhado ao USTR contendo os argumentos a serem apresentados.
A sessão discute a possível aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e envolve acusações de práticas desleais no comércio. O material enviado aos EUA sustenta que o governo Lula é responsável por tais condutas, segundo a leitura dos dois aliados.
No dia 1º de junho, o USTR encerrou a investigação e apontou políticas consideradas irrealistas ou discriminatórias que oneram o comércio com os EUA. Entre as acusações estão ações de órgãos brasileiros e impactos sobre empresas americanas no setor de pagamento eletrônico.
Acusações e defesa
Em documentos ao USTR, Figueiredo atribui as acusações a ações do governo petista e do STF, com ênfase em decisões envolvendo ministros como Alexandre de Moraes. O objetivo é contestar as medidas e apontar o impacto político doméstico.
Flávio aponta supostas hostilidades de Lula aos EUA, sugerindo que guerras comerciais poderiam ser usadas como tema de campanha. A defesa defende adiar medidas até após as eleições para evitar retaliações políticas.
O jornalista argumenta que uma tarifa ampla atingiria mais exportadores, trabalhadores e consumidores do que os responsáveis pela política externa. Ele também sugere que o Planalto utiliza o tema para alimentar a narrativa de soberania na eleição de 2026.
Para conter eventuais sanções, os representantes defendem que a Casa Branca direcione mensagens a indivíduos específicos, com base na Lei Global Magnitsky, incluindo restrições de visto. Moraes é apontado como alvo potencial.
O objetivo da audiência é esclarecer se as tarifas, caso implementadas, prosperariam e qual seria o efeito geopolítico. A participação é aberta a empresários e à sociedade civil, e o governo americano avaliará as medidas.
Reação de Lula e desdobramentos
O presidente Lula reagiu aos argumentos enviados, classificando a atuação da família Bolsonaro como entrega aos interesses norte-americanos e afirmando que o Brasil age de modo igualitário nas relações internacionais. Ele nega a necessidade de tarifas.
Lula rejeita a criação de barreiras econômicas agora ou depois das eleições de 2026. O presidente afirma que não há justificativa para o tarifaço e critica críticas ao Mercosul, defendendo a manutenção do bloco.
O petista defende o Pix como conquista brasileira e ressalta a soberania nacional. Em comunicado, ele sustenta que o país não está à venda e que as relações com outras nações devem seguir padrões de respeito mútuo.
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