- No Japão, cafés noturnos para mães e filhos funcionam de madrugada, oferecendo acolhimento gratuito.
- O Oyako no Koya, em Hokkaido, abre aos domingos das 21h às 6h, e pode receber mães com seus filhos.
- Um espaço similar existe em Niigata, criado por um grupo de mulheres, que atende uma noite por semana.
- Especialistas destacam que esses espaços surgem por isolamento das mães e pela falta de atendimento noturno dos serviços formais.
- A ideia levanta perguntas sobre por que o apoio profissional financiado pelo poder público nem sempre chega nos momentos de maior vulnerabilidade.
No Japão, cafés noturnos voltados a mães e filhos acolhem famílias exaustas durante a madrugada. Em Hokkaido, o Oyako no Koya abriu gratuitamente aos domingos, das 21h às 6h, reunindo mães, bebês e o choro que chega com o cansaço. Em Niigata, um espaço semelhante funciona semanalmente, criado por um grupo de mulheres.
A proprietária Madoka Nozawa, ao lado da equipe, afirma que o objetivo é oferecer refúgio e apoio mútuo para quem enfrenta dificuldades. O espaço busca reduzir o sentimento de isolamento e trazer alívio em horários de pouca disponibilidade de serviços formais.
A iniciativa surgiu de uma ideia comunitária e é vista como uma resposta a lacunas no suporte noturno. Segundo relatos, os cafés funcionam como locais de acolhimento onde mães podem descansar, conversar e encontrar recursos.
Contexto e participação
Especialistas apontam que, hoje, esses espaços existem principalmente em regiões onde o deslocamento se dá de carro. Em áreas urbanas com transporte público ativo, a adaptação seria necessária para facilitar o acesso de mães com recém-nascidos.
Erika Ota, professora de saúde materno-infantil, explica que a rede de apoio formal no país é insuficiente à noite e nos fins de semana. O isolamento das mães é agravado pela baixa taxa de natalidade e pela predominância da família nuclear.
A expert ressalta ainda que, apesar de o Japão possuir serviços de acompanhamento perinatal bem estruturados, a saúde mental no pós-parto recebe menos atenção. A triagem e o tratamento da depressão pós-parto permanecem aquém do ideal.
Relevância social
As iniciativas destacam a necessidade de redes comunitárias para ampliar o suporte fora do horário comercial. Além de oferecer acolhimento, os projetos questionam por que o atendimento profissional financiado pelo poder público nem sempre chega às mães quando mais precisam.
A presença desses espaços reflete uma tentativa de suprir deficiências estruturais na assistência à maternidade. A perspectiva é de que, com políticas públicas mais robustas, os momentos de vulnerabilidade poderiam receber apoio contínuo.
Texto originalmente veiculado pela Marie Claire Italia; informações creditadas a Kyodo News e aos envolvidos no movimento.
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