- Raúl Guillermo Rodríguez Castro, 42, apelidado de “El Cangrejo”, emergiu como peça-chave em Havana e se apresenta como possível ponte com os Estados Unidos, em entrevistas exclusivas a a USA Today.
- Ele diz poder negociar com qualquer representante dos EUA designado e afirma que, se houver oportunidade, negociaria com Trump.
- Rodríguez Castro atua próximo de GAESA, o conglomerado militar que domina grande parte da economia cubana, e afirma que esse grupo representa cerca de quinze por cento da economia; ele nega possuir riqueza própria.
- O governo americano tem imposto sanções a diversas empresas cubanas, mas Rodríguez Castro não foi sancionado; ele já teve encontros com autoridades americanas e participou de encontros com Rubio, Lewin e Ratcliffe.
- Em Cuba, houve um pacote de reformas econômicas anunciado em 18 de junho para privatizar setores do estado, com Rodríguez Castro impulsionando as medidas; ele diz que o país não é ameaça à segurança dos EUA e defende negociação sob condições.
Rodrigo Rodríguez Castro, conhecido como El Cangrejo, atua como figura central em Havana e tem ganhado destaque como ponte entre Cuba e potenciais negociadores dos EUA. Em entrevistas exclusivas, concedidas a USA TODAY, ele descreve sua visão para o futuro do país e assinala estar pronto para atuar conforme necessário.
O jovem Castro não ocupa cargo formal no governo, mas acumula influência devido ao relacionamento próximo com o avô, Raul Castro, e com o estádio militar GAESA, controlador de setores estratégicos da economia. Seu papel envolve assessorar decisões, facilitar negociações e buscar oportunidades de investimento para Cuba.
As declarações foram dadas durante visitas a Havana em junho, incluindo conversas na antiga sede do regime, e mostram esforço para moldar uma relação mais prática com os Estados Unidos. O estadista cubano, Miguel Díaz-Canel, é apresentado por Rodríguez como aliado, apesar de não terem sido anunciadas alianças oficiais.
Rodríguez Castro também aponta que está aberto a negociações com o governo de Donald Trump, citando a possibilidade de tratar com representantes designados pelo presidente. Ele afirma buscar mudanças econômicas significativas sem abandonar os fundamentos da revolução. A abordagem não exclui reformas estruturais.
Entre as ações recentes, o governo cubano divulgou um conjunto de medidas para privatizar partes da economia estatal, sinalizando passos rumo a maior abertura econômica. Rodríguez Castro apresenta o plano como resultado de diálogos internos que envolvem diferentes setores do aparato estatal.
A atuação do neto de Raul Castro inclui a condução de contatos com autoridades americanas de alto nível e com empresários influentes, além de encontros com figuras políticas de destaque nos EUA. Do lado americano, há sanções direcionadas a entidades ligadas ao regime, mas sem excluir a possibilidade de acordos setoriais.
Ao longo das entrevistas, Rodríguez Castro descreve uma visão de Cuba mais próspera, com maior disponibilidade de bens e serviços, inclusive referências a parcerias internacionais para suprir necessidades energéticas. Ele ressalta que as mudanças deverão respeitar a estrutura institucional cubana e o papel do Partido.
A situação econômica de Cuba enfrenta dificuldades recentes, como quedas no abastecimento e tensões com políticas norte-americanas. Enquanto isso, a residência oficial de Havana refletia o clima de cautela, com horários de funcionamento ajustados para economizar energia diante da crise de combustível.
A expectativa entre observadores é de que Rodríguez Castro, mesmo sem cargo formal, continue exercendo influência decisiva em temas econômicos e diplomáticos. O desenrolar das negociações com Washington pode definir o ritmo de reformas e de possíveis ajustes na relação bilateral.
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