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Regras de IA companheira na China revelam o que Pequim busca

Regras da China para IA companheira entram em vigor, exigindo modos seguros, consentimento de responsáveis e saída rápida, levando empresas a desativar agentes de convivência

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  • China publicou regras para serviços de “animais digitais” que mantêm relacionamento emocional com usuário, diferenciando isso de assistentes que executam tarefas; as regras entram em vigor em 15 de julho.
  • Os apps de IA mais usados desligaram, temporariamente, funções de companheiro: Doubao parou o funcionamento em 15 de julho e Qwen tinha interrupções em 10 de julho (com serviços de agentes mais amplos suspensos cinco dias depois).
  • As regras exigem mecanismos anti-vício, avisos de uso obrigatórios e mecanismos de saída instantânea, além de detecção em tempo real de dependência, o que conflita com a natureza de agentes que lembram o usuário.
  • Provedores devem proibir serviços de companheiro para menores, exigir consentimento dos responsáveis para usuários com até 14 anos e criar modos para menores, com limites de uso e controles parentais.
  • Há regras de conformidade robustas, incluindo avaliações de segurança para lançamentos com mais de um milhão de usuários registrados ou 100 mil ativos mensais; dados de conversas de Doubao ficarão em modo somente leitura até 15 de outubro, enquanto Qwen terá exclusão permanente de dados.

A China adotou regras para companheiros de IA que visam separar o uso emocional do assistente de IA voltado a atividades profissionais. A norma regula serviços que simulam traços humanos e mantêm relação contínua com o usuário, com memória e personalidade estáveis.

Na prática, isso significou mudanças para os apps de IA mais usados no país. A ByteDance desativou a função de agente do Doubao até 15 de julho, citando ajustes de função. Já a Alibaba informou que o Qwen interromperia agentes humanos e criados pelo usuário a partir de 10 de julho, com o serviço completo suspenso cinco dias depois.

As regras entram em vigor com o Regulamento Interino de Administração de Serviços de IA Interativos Anthropomórficos, publicado em 10 de abril de 2026 e assinado pela Administração Nacional de Internet da China, em conjunto com quatro agências reguladoras. O texto fixa requisitos para interações emocionais continuadas.

A mudança não proíbe a IA de realizar funções de atendimento, conhecimento ou apoio no trabalho. O foco é evitar envolvimento emocional contínuo, com uso de sistemas anti-vício, avisos obrigatórios de uso e mecanismos de saída instantânea. O objetivo é diferenciar o que trabalha e o que consola.

Para cumprir as exigências, as empresas devem adotar modos para menores de idade, com limites de tempo, lembretes para retornar a interações no mundo real e controles parentais mais rigorosos. Também precisam detectar sinais de sofrimento ou risco e acionar cuidadores ou contatos de emergência.

A aplicação prática foi marcada pela remoção de recursos de companheiro emocional. Usuários relatam perdas de dados de conversas e a dificuldade de exportar históricos. No Doubao, é possível ver configurações em modo somente leitura até outubro, quando os dados são movidos para processamento e excluídos. No Qwen, não houve prazo de graça equivalente.

As regras deixam lacunas, como a definição precisa de o que constitui interação emocional. O observador aponta que a lei mistura proteção de usuários com controles de conteúdo e segurança nacional, elevando o peso regulatório sobre as plataformas. Shanghai já removeu mais de 14 mil agentes por não conformidade.

Para autoridades, a direção é melhorar a segurança e a padronização de serviços com traços humanos. Analistas destacam que o debate ainda envolve responsabilidade entre operadores de plataformas e provedores de modelos. O tempo dirá quanta conformidade será mantida no ecossistema de IA no país.

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