O Irã afirmou nesta segunda-feira (27) que não pretende retomar as negociações com os Estados Unidos, apesar da determinação de Donald Trump de suspender os bombardeios contra o país.
A decisão da Casa Branca de interromper os ataques provocou uma forte queda nos preços do petróleo, com o barril do Brent recuando cerca de 7,8% e voltando a ser negociado abaixo de US$ 90, diante da expectativa de normalização do abastecimento global.
O Irã afirmou nesta segunda-feira (27) que não pretende retomar as negociações com os Estados Unidos, apesar da determinação de Donald Trump de suspender os bombardeios contra o país.
A decisão da Casa Branca de interromper os ataques provocou uma forte queda nos preços do petróleo, com o barril do Brent recuando cerca de 7,8% e voltando a ser negociado abaixo de US$ 90, diante da expectativa de normalização do abastecimento global.
+ Em ligação, Xi Jinping apoia Lula contra ‘interferência externa’
Em entrevista coletiva televisionada, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou que Teerã tenha solicitado a retomada das conversas com Washington.
“Mediadores podem transmitir mensagens do lado americano sobre os acontecimentos na região. Mas, no momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos”, afirmou.
Os comentários foram feitos após Trump suspender, no fim de semana, uma ofensiva aérea que durou duas semanas e teve como objetivo enfraquecer o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Segundo uma autoridade dos Estados Unidos ouvida pela Reuters, a decisão foi tomada após comandantes militares avaliarem que os ataques haviam atingido seu limite operacional. Os militares também alertaram o presidente sobre a redução dos alvos disponíveis e o consumo elevado de armamentos de defesa aérea usados para proteger bases norte-americanas na região.
Reportagens publicadas pelo New York Times, CNN, Axios e outros veículos também apontaram que assessores civis e militares recomendaram o encerramento da campanha.
No domingo, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que Trump interrompeu os bombardeios para abrir espaço a negociações diplomáticas. A declaração, porém, foi rejeitada por Teerã.
Irã diz manter controle do estreito
Mesmo com a suspensão dos ataques, o governo iraniano reforçou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz.
Veículos da imprensa estatal iraniana divulgaram, citando uma “fonte bem informada”, que seis embarcações consideradas “infratoras” foram obrigadas a retornar após tentarem cruzar o estreito sem autorização iraniana. Segundo a mesma fonte, uma das embarcações sofreu um acidente.
A mídia estatal também reiterou que apenas a rota marítima definida pelo Irã permanece aberta para navegação e que outras alternativas seguem bloqueadas.
O governo iraniano sustenta que os navios devem utilizar um canal próximo à sua costa, onde pretende cobrar taxas de trânsito. Já Washington defende que os acordos firmados anteriormente garantem liberdade de navegação na região.
Conflito elevou tensão no Golfo
Os bombardeios norte-americanos deixaram dezenas de mortos no Irã e atingiram pontes, túneis e instalações militares no sul do país. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases dos EUA em países árabes vizinhos, matando quatro militares norte-americanos, além de atingir infraestrutura civil em países do Golfo, que classificou como retaliação às ações dos Estados Unidos.
Na semana passada, os houthis, aliados do Irã no Iêmen, também ameaçaram ampliar a pressão sobre o mercado de energia ao anunciar um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que contribuiu para a disparada das cotações do petróleo.
*Com informações da Reuters
Entre na conversa da comunidade