- Marie Claire inicia série de entrevistas com seis das dez deputadas mais votadas, abordando temas como aborto enquanto política pública, mães solo, fome e teto de gastos.
- Nas eleições de dois mil e vinte e dois foram eleitas 91 deputadas federais, recorde histórico, o que representa cinquenta e sete por cento de mulheres no total de parlamentares brasileiros; a representatividade feminina ficou em cento e setenta e sete por cento, número abaixo da média mundial.
- Da bancada feminina, 29 são pretas ou pardas e quatro são indígenas; Erika Hilton e Duda Salabert são as primeiras mulheres trans no Congresso.
- Quatro das dez deputadas mais votadas não participarão da série: Carla Zambelli, Carol de Toni, Clarissa Tércio; Alessandra Haber ainda não se posicionou por meio da assessoria; Marina Silva deixou a Câmara para assumir o Ministério do Meio Ambiente.
- Entre as que respondem, há posicionamentos como: Erika Hilton criticando a política atual, Gleisi Hoffmann defendendo a derrubada do teto de gastos, Sâmia Bonfim defendendo a legalização do aborto, Rosângela Moro buscando ser reconhecida pela atuação além do papel de “mulher de alguém” e Silvye Alves falando sobre violência doméstica que sofreu.
A revista Marie Claire inicia nesta quinta-feira uma série especial com as 10 deputadas federais mais votadas do país. A ideia é mapear como elas se posicionam sobre temas considerados chave para as mulheres brasileiras, como aborto, educação, fome e políticas públicas.
Ao todo, foram 10 perguntas padronizadas enviadas por escrito. A série busca entender o que pensam sobre aborto como política pública, mães solo, fome e teto de gastos, entre outros assuntos relevantes para o país.
A eleição de 2022 registrou 91 vagas para deputadas federais, um recorde histórico no Brasil. Mesmo assim, a representatividade feminina na Câmara permanece baixa, somando 17,7%. O dado contrasta com metas de paridade ainda não atingidas.
Participantes e ausências
Quatro das deputadas mais votadas não participam da série. Carla Zambelli (PL), líder de uma ala pró-Bolsonaro, não respondeu aos pedidos. A reportagem também tentou contato com o marido da parlamentar, sem sucesso.
Zambelli já teve mandado de busca e apreensão em janeiro, após decisão do STF manter porte de arma suspenso. A ação ocorreu durante atuação em São Paulo perto do segundo turno eleitoral. A Procuradoria pediu a medida, citando risco público.
As redes sociais de Zambelli estão bloqueadas desde novembro, por decisão do TSE, relacionada a acusações de fraude. Carol de Toni (PL-SC), colega de partido, também não respondeu aos pedidos de entrevista.
Outras nuances da lista
Entre as ausências, Clarissa Tércio (PP-PE) decidiu não participar após enfrentar inquérito do Ministério Público Federal por suposto incentivo a atos terroristas em Brasília. Alessandra Haber (MDB-PA), terceira mulher mais votada, afirmou que só se pronunciará após assumir o mandato em fevereiro.
Na prática, a série publicará entrevistas com seis das oito deputadas que não haviam desistido formalmente de participar até o momento. Entre as que respondem, destacam-se posicionamentos sobre temas como aborto, gastos públicos e políticas de proteção às mulheres.
Perspectivas e próximos passos
Entre as que já enviaram respostas, destacam-se: defesa da derrubada do teto de gastos, críticas a descrições de políticas públicas e propostas de ampliar direitos reprodutivos. A série oferece um retrato das trajetórias e dos enfoques das parlamentares mais votadas.
A reportagem acompanha o andamento do mandato de cada uma, com novidades à medida que as candidatas tomarem posse e começarem a atuar em plenário. O objetivo é oferecer um panorama claro sobre as fontes de atuação e as prioridades levantadas.
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