- O Equador realizou referendum para interromper a extração de petróleo no bloco Ishpingo-Tambococha-Tiputini, dentro do Parque Nacional Yasuní, na Amazônia.
- Votação resultou em 5,2 milhões de votos a favor de manter o petróleo no subsolo, contra 3,6 milhões.
- O ITT abriga 12 plataformas de petróleo e 230 poços, com produção de cerca de 57 mil barris por dia.
- O governo diz que o resultado terá impacto econômico negativo, com perdas previstas e redução de investimentos em infraestrutura.
- Autoridades recebem um ano para retirar-se do ITT e não podem assinar novos contratos de exploração; alguns grupos indígenas também participaram, com diferentes posições.
O Ecuador abriu espaço para uma mudança histórica ao aprovar, por meio de referendum, a suspensão de todos os futuros levantamentos de óleo na área protegida do Parque Nacional Yasuní, na Amazônia leste. A consulta popular questionou se o petróleo deveria permanecer no subsolo no bloco ITT, dentro do parque.
Mais de 5,2 milhões de eleitores votaram a favor da mudança, contra cerca de 3,6 milhões que defenderam manter a exploração. O resultado fortalece a proteção de comunidades indígenas em isolamento voluntário e de ecossistemas frágeis da região.
O plebiscito foi realizado em meio a décadas de disputas entre conservação ambiental, direitos indígenas e interesses econômicos ligados ao petróleo. O bloco ITT abriga 12 plataformas e 230 poços, com produção de cerca de 57 mil barris por dia.
A iniciativa contou com participação de grupos como Yasunidos, que atuaram na coleta de assinaturas para viabilizar a consulta, e lideranças indígenas como Waorani e Shuar. Diversos povos defendem a preservação, citando impactos sobre povos isolados e a biodiversidade.
O governo estima perdas econômicas significativas com o fim da exploração no ITT. A Petroecuador projeta reduções de receita e impactos em subsídios sociais, enquanto analistas apontam ganhos ambientais e de reputação internacional.
Historicamente, a região já foi foco de controvérsias desde a proposta Yasuní-ITT, lançada em 2007. A ideia era manter o petróleo sob o solo mediante compensação internacional, o que não ocorreu na prática.
Panorama econômico e ambiental
O ISHT block, que abrange cerca de 982 mil hectares, é considerado entre os mais biodiversos do planeta, abrigando milhares de espécies de fauna e flora. A decisão do referendo sinaliza uma mudança de rumo na política ambiental e energética do país.
Indígenas que apoiaram a exploração afirmam que a atividade trouxe desenvolvimento e empregos para a região. Em contrapartida, comunidades em isolamento e organizações ambientais destacam riscos para saúde ambiental e violação de direitos.
As autoridades agora têm até um ano para retirar a atividade do ITT e evitar novos contratos de exploração. Caso não cumpram, tribunais constitucionais podem agir contra responsáveis judiciais.
O resultado também inspira debates sobre alternativas econômicas para a região, como o fortalecimento de serviços ambientalmente sustentáveis e programas de proteção aos territórios indígenas.
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