- A Polícia Federal indiciou setenta e oito oficiais pelas ações ligadas a um golpe, envolvendo quarenta e sete militares da ativa e da reserva; no total, quarenta e dois militares permanecem sob investigação ou indiciamento, com ênfase em operações clandestinas.
- A PF aponta duas operações principais: Copa de 2022 para neutralizar o ministro Alexandre de Moraes e uma operação psicológica (Op Psico) contra o Alto-Comando do Exército, com uso de técnicas de guerra de informação.
- Coronéis da Aman e outros oficiais teriam articulado uma Carta ao Comandante para pressionar o Exército e cooptar as Forças Armadas; houve também tentativa de expor generais contrários ao golpe em redes e veículos.
- O Exército decidiu submeter todos os envolvidos a tribunais de honra; o Superior Tribunal Militar pode homologar os resultados dos Conselhos de Justificação.
- Entre os relatos, houve confissão de participação de pelo menos um oficial (Cid) e negação pública do golpe por parte de Braga Netto, além de críticas à lealdade institucional e à honra militar dentro do Alto-Comando.
O Exército investiga uma operação psicológica envolvendo oficiais da reserva e da ativa, apontada pela Polícia Federal como tentativa de golpismo. O relatório da PF descreve condutas de 78 oficiais, com desdobramentos em duas operações simuladas para pressionar o Alto-Comando.
Segundo apurações, seis generais teriam papel central na condução de ações, coordenando esforços para influenciar o comando e eventos políticos. A PF identifica uma rede que envolve oficiais da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e cargos de nível intermediário, com participação de coronéis e tenentes-coronéis.
A investigação se baseia em mensagens, comunicações e atividades de operações psicológicas, registradas entre 2022 e 2023. A conduta envolve planos para desacreditar instituições, divulgar conteúdos estratégicos e criar um gabinete de crise dentro do Exército, sem ordens formais, segundo a PF.
O que motivou o movimento é visto como desvio de lealdade institucional. A Força Terrestre destacou que, independentemente de eventual responsabilização criminal, haverá apuração administrativa para apurar violação de honra militar. Conselhos de Justificação devem julgar os envolvidos.
Entre os envolvidos, estão oficiais com atuação operacional destacada, como o chefe tático-operacional do suposto golpe. A PF aponta a existência de uma operação destinada a fragilizar o Alto-Comando, com ações de desinformação e pressão sobre autoridades superiores.
Os procuradores destacam que a conduta pode implicar crimes militares, incluindo ações sem autorização superior e uso de documentos para engajar a massa em apoio à medida. O apontamento é de que essas atitudes configurariam desvios graves de disciplina.
A PF também relata que a organização conspiratória criou redes de comunicação para disseminar propaganda entre as tropas. Em relatos, há menção a mensagens que estimulavam exonerar ou prender figuras-chave do STF e do TSE, com o objetivo de pressionar decisões judiciais.
Braga Netto foi citado pela PF como figura de liderança política-estratégica no esquema, embora ele tenha negado envolvimento com o golpe. Outros militares, como Mário Fernandes, teriam atuado como protagonistas na condução das ações e na articulação com membros da reserva.
Relatos indicam que a trama incluiu reuniões em Brasília, montagem de um possível gabinete de crise e tentativas de cooptar setores do Exército para sustentar a narrativa golpista. A PF aponta que o objetivo final seria minar a confiança na legitimidade institucional.
A postura do Exército, após as revelações, tem sido de reforçar a necessidade de manter a coesão, a disciplina e a fidelidade aos mandos. O comando atual afirmou que todos os envolvidos serão submetidos a tribunais de honra, com homologação do STM.
A tensão entre honra, disciplina e política ficou evidente durante cerimônia de promoção de generais. A defesa institucional enfatizou a importância de distinguir intenções, atos e responsabilidades, sem favorecer nem condenar sem base documental.
A investigação continua no âmbito policial-militar, com inclusões de novas informações vindas de perícias e depormentos. A PF não descartou novos indiciamentos conforme avançarem as oitivas e a análise de mensagens.
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