A juíza de Direito Ana Carolina Santana, de Pernambuco, quebrou o protocolo durante a leitura de uma sentença em um caso de feminicídio, emocionando o Tribunal do Júri. Ao som de Chopin, a magistrada dirigiu suas palavras à vítima, afirmando: “Você foi absolvida. Você não teve culpa de nada que te aconteceu.” A juíza destacou […]
A juíza de Direito Ana Carolina Santana, de Pernambuco, quebrou o protocolo durante a leitura de uma sentença em um caso de feminicídio, emocionando o Tribunal do Júri. Ao som de Chopin, a magistrada dirigiu suas palavras à vítima, afirmando: “Você foi absolvida. Você não teve culpa de nada que te aconteceu.” A juíza destacou a realidade do machismo e as tentativas de desqualificação da mulher ao longo do processo, refletindo sobre as perguntas que buscavam transferir a responsabilidade pelo crime à vítima.
Durante sua declaração, Ana Carolina enfatizou que, em seus oito anos de carreira, nunca havia presenciado a necessidade de refazer um julgamento. Ela criticou as indagações feitas no tribunal, como: “Por que não saiu do distrito de Fátima?” e “Por que não terminou o relacionamento se estava sendo agredida?” A magistrada classificou o machismo como uma questão “estrutural”, ressaltando que as vítimas frequentemente são julgadas por suas escolhas, enquanto os agressores recebem justificativas.
A juíza também rechaçou as tentativas de desqualificação da vítima com base em sua saúde mental, afirmando que “quem aqui estiver com a saúde mental 100% em dia que atire a primeira pedra.” Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acatou a tese do Ministério Público, resultando na condenação do acusado a 32 anos de reclusão. Ana Carolina encerrou sua fala com uma mensagem de paz à vítima, reafirmando que ela não teve culpa do que ocorreu.
Em um trecho de sua declaração, a juíza expressou a dor da realidade enfrentada pelas mulheres: “O mundo que nós mulheres queremos viver é o mundo que não nos julgue por nossas decisões.” A leitura da carta endereçada à mulher assassinada foi um momento marcante, refletindo a luta contra a violência de gênero e a necessidade de um olhar mais humano e justo sobre as vítimas.
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