Em Goma, no leste da República Democrática do Congo, a vida parece retomar a normalidade, mas os vestígios da recente violência ainda são visíveis. Cascos vazios e bombas não detonadas permanecem nas ruas, lembrando os confrontos entre a milícia rebelde M23 e o exército congoleño que deixaram cerca de 3.000 mortos e dezenas de milhares […]
Em Goma, no leste da República Democrática do Congo, a vida parece retomar a normalidade, mas os vestígios da recente violência ainda são visíveis. Cascos vazios e bombas não detonadas permanecem nas ruas, lembrando os confrontos entre a milícia rebelde M23 e o exército congoleño que deixaram cerca de 3.000 mortos e dezenas de milhares de deslocados. A cidade, agora sob controle do M23, enfrenta um ambiente caótico, com relatos de tiroteios e saqueios nas áreas periféricas.
Os deslocados, que somam cerca de 700.000 pessoas, vivem em condições precárias em acampamentos, enfrentando ultimatos para deixar os locais, o que o M23 nega. Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras, relataram a interrupção de suas atividades devido à insegurança. Thierry Allafort-Duverger, diretor da organização, alertou sobre a deterioração da situação humanitária, especialmente se os fundos da USAID forem cortados.
A situação em Goma é um reflexo de um conflito mais amplo que assola a região há décadas, exacerbado por tensões étnicas e a luta por recursos naturais. O M23, que recebe apoio de Ruanda, justifica suas ações como proteção aos tutsis, enquanto a ONU aponta para execuções em massa de civis. A possibilidade de uma terceira guerra regional se torna mais real com a participação de países vizinhos, como Burundi e Uganda.
Em Bukavu, um comício realizado pelos rebeldes foi interrompido por tiros e explosões, resultando em pelo menos 11 mortos e 60 feridos. O líder rebelde Corneille Nangaa prometeu segurança à população, mas o ataque gerou pânico e caos. O presidente Félix Tshisekedi atribuiu a responsabilidade a uma “força estrangeira”, enquanto os rebeldes buscam responsabilizar o governo. A situação humanitária continua a se agravar, com 500.000 pessoas forçadas a deixar suas casas, conforme relatórios da ONU.
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