Guyana passou por uma transformação significativa em 2015, quando a ExxonMobil descobriu cerca de 11 bilhões de barris de petróleo em águas profundas ao largo de sua costa. Desde 2019, a Exxon, junto com seus parceiros Hess e CNOOC, já produz aproximadamente 650 mil barris por dia, com planos de aumentar essa produção para 1,3 […]
Guyana passou por uma transformação significativa em 2015, quando a ExxonMobil descobriu cerca de 11 bilhões de barris de petróleo em águas profundas ao largo de sua costa. Desde 2019, a Exxon, junto com seus parceiros Hess e CNOOC, já produz aproximadamente 650 mil barris por dia, com planos de aumentar essa produção para 1,3 milhão até 2027. Essa rápida expansão coloca Guyana como o país com o maior crescimento esperado na produção de petróleo até 2035. No entanto, essa nova riqueza gera preocupações sobre os impactos ambientais e sociais, especialmente em um país vulnerável às mudanças climáticas.
O governo de Guyana, sob a liderança do presidente Mohamed Irfaan Ali, defende que a exploração de petróleo pode coexistir com a proteção ambiental. Ali afirma que os recursos petrolíferos serão utilizados para melhorar a infraestrutura e a saúde pública, prometendo que “cada guianense se beneficiará” dessa riqueza. Contudo, críticos argumentam que a população não está vendo os benefícios diretos, com o custo de vida aumentando e a inflação atingindo 6,6% em 2023, enquanto os preços de alimentos dispararam.
Guyana, que possui vastas florestas que a tornam um “sumidouro de carbono”, tem um histórico de proteção ambiental. Em 2009, o país assinou um acordo com a Noruega para receber mais de R$ 250 milhões para preservar suas florestas. Apesar disso, há receios de que a dependência do petróleo possa levar à “maldição dos recursos”, onde a riqueza natural resulta em corrupção e diminuição da responsabilidade governamental, como observado em países vizinhos como a Venezuela.
A relação entre o governo de Guyana e a ExxonMobil é complexa, com críticas ao contrato de 2016 que concede à empresa 75% dos lucros, enquanto o governo recebe apenas 25% e uma royalty de 2%. Embora o presidente Ali reconheça que o acordo foi desfavorável, ele não pretende alterá-lo unilateralmente. A Exxon, por sua vez, defende que o contrato é competitivo e afirma ter investido mais de R$ 2 bilhões em empresas locais desde 2015, mas muitos guianenses ainda enfrentam dificuldades financeiras, levando a um debate contínuo sobre os verdadeiros benefícios da exploração petrolífera no país.
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