O antropólogo brasileiro Roberto DaMatta compartilha sua trajetória desde Niterói até Harvard, destacando os desafios que enfrentou durante a ditadura militar no Brasil. Ele começou sua carreira no Museu Nacional, onde foi orientado por Roberto Cardoso de Oliveira, que o incentivou a se tornar um pesquisador. Em Harvard, DaMatta teve uma visão mais ampla da antropologia, estudando diversas sociedades tribais e enfrentando um rigor acadêmico intenso. Durante sua estadia, ele adotou o sobrenome “DaMatta” para se conectar mais com suas raízes e usou o lema “Veritas” da universidade como forma de resistência política. Ele também recorda o impacto do golpe militar de 1964 e sua experiência na Biblioteca Widener. Por fim, DaMatta reflete sobre as mudanças no cenário atual e a importância da educação, expressando preocupação com o acesso a instituições como Harvard nos dias de hoje.
Antropólogo brasileiro recorda trajetória de Niterói a Harvard
O antropólogo Roberto DaMatta narra sua formação e experiências acadêmicas, desde a infância em Niterói até a consagração em Harvard. A trajetória do pesquisador foi marcada por desafios e contribuições significativas para a antropologia no Brasil e no exterior.
DaMatta relata o ambiente político da família, com tios discutindo política em silêncio devido ao pai, desembargador, e ao avô. O suicídio de Getúlio Vargas impactou seus pais, demonstrando a intensidade do cenário político da época. A ausência de livros em casa foi compensada pela música e pelo despertar da curiosidade intelectual.
Início no Museu Nacional e influência de Roberto Cardoso de Oliveira
A entrada no universo da pesquisa antropológica no Museu Nacional foi crucial para o antropólogo. Lá, encontrou a orientação de Roberto Cardoso de Oliveira, que o ensinou a escrever e perseverar na pesquisa. O objetivo do mentor não era formar militantes, mas sim pesquisadores com conhecimento das origens da antropologia.
Harvard e a visão cosmopolita da antropologia
A parceria entre David Maybury-Lewis, de Harvard, e seu mentor o levou a estudar sociedades tribais de língua jê, com pesquisas comparativas. Em Harvard, DaMatta teve contato com uma visão cosmopolita da antropologia, estudando sociedades tribais de todo o planeta. A instituição se destacava pelo rigor acadêmico, com a leitura de dois ou três livros por semana para discussão em seminários.
Adaptação cultural e o impacto do “Veritas”
Durante sua estadia em Harvard, o antropólogo adotou o sobrenome “DaMatta”, sentindo-se mais conectado com suas raízes. Percebeu o prestígio da universidade no sistema acadêmico americano, recusando uma oferta de emprego para priorizar sua carreira no Museu Nacional e no Conselho Nacional de Pesquisas. No período da ditadura militar, utilizou o lema de Harvard, “Veritas” (verdade), para resistir ao preconceito político.
Golpe militar e a experiência na biblioteca Widener
Em abril de 1964, DaMatta ouviu sobre o golpe militar, demonstrando sua surpresa diante do evento. A experiência na Biblioteca Widener, na época a maior do mundo, também marcou sua trajetória, com o alerta sobre o labirinto de estantes e a história de um aluno perdido. Apesar das dificuldades, Harvard nunca interrompeu suas atividades, nem mesmo com a neve.
Reflexões sobre o cenário atual e a importância da educação
O antropólogo conclui refletindo sobre as mudanças no cenário atual e a importância da educação. Expressa a crença de que, hoje, sua entrada em Harvard seria mais difícil e critica a figura de Donald Trump, que jamais seria aceito na instituição.
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