- A construção da Avenida Liberdade, com extensão de treze quilômetros, foi paralisada por ribeirinhos que exigem indenizações e melhorias nas vias de acesso.
- A obra atravessa a Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém e foi licenciada em novembro de 2022.
- O governador do Estado, Helder Barbalho, defende a obra como essencial para a mobilidade e o transporte de cargas na região.
- Ambientalistas alertam sobre riscos de desmatamento e degradação florestal, destacando o “efeito borda” que pode aumentar a vulnerabilidade da floresta.
- O governo afirma que o licenciamento ambiental foi seguido e que a construção não está derrubando a floresta, pois a via se localiza em área já antropizada.
Às vésperas da COP30, a construção da Avenida Liberdade, que se estende por 13 quilômetros e atravessa a Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém, enfrenta resistência. Ribeirinhos paralisaram a obra nesta quinta-feira, exigindo indenizações por imóveis que serão desapropriados e melhorias nas vias de acesso à comunidade, que estão deterioradas devido ao tráfego intenso de máquinas.
O governador Helder Barbalho (MDB) defende a obra como essencial para a mobilidade no estado, afirmando que a via facilitará o transporte de cargas do sul do Pará e do Baixo Tocantins. No entanto, ambientalistas alertam sobre os riscos de desmatamento e degradação florestal. A construção foi licenciada em novembro de 2022, antes da escolha de Belém como sede da COP30, e teve início em junho de 2024, seis meses após a confirmação do evento na capital paraense.
Estudos indicam que a abertura de novas vias na Amazônia está frequentemente associada ao aumento do desmatamento. O engenheiro florestal Paulo Mauricio Graça, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destaca que a obra pode expor a floresta ao “efeito borda”, que altera o microclima e aumenta a vulnerabilidade a incêndios e quedas de árvores. O pesquisador Philip Fearnside também aponta que a população local pode ser substituída por empresas, como ocorreu em outras regiões.
O governo estadual afirma que o licenciamento ambiental foi rigorosamente seguido e que a construção não está derrubando a floresta, já que a via se localiza em uma área antropizada. Contudo, críticos, incluindo parlamentares bolsonaristas, questionam a contradição entre o discurso ambiental do governo e a execução da obra, especialmente em um momento em que Belém se prepara para receber um evento internacional focado em questões climáticas.
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