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Mulheres na RDC relatam abandono após gravidez por agentes da ONU

Denúncias de abuso sexual aumentam na Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo, impactando severamente mulheres locais.

Kamate Bibiche, uma das mulheres que engravidou de um agente da ONU (Foto: BBC)
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  • A Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (Monusco) enfrenta críticas por denúncias de exploração e abuso sexual.
  • Relatos de mulheres, como Kamate Bibiche e Maria Masika, mostram o impacto negativo dessas relações, incluindo abandono e exploração.
  • Kamate engravidou de um agente da ONU, que prometeu cuidar dela, mas desapareceu.
  • A situação é agravada pelo conflito no leste do país, onde muitas mulheres recorrem à prostituição para sustentar suas famílias.
  • A ONU registrou um aumento nas denúncias de abuso sexual, com a Monusco sendo responsável por sessenta e seis das cem denúncias registradas.

A Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (Monusco) enfrenta sérias críticas devido a denúncias de exploração e abuso sexual. Desde sua criação em 1999, a missão tem um histórico problemático de relações entre agentes de paz e mulheres locais, exacerbado por um recente aumento nas denúncias.

Relatos de mulheres como Kamate Bibiche e Maria Masika revelam o impacto devastador dessas interações. Kamate, que engravidou de um agente da ONU, descreve um relacionamento que começou de forma promissora, mas terminou em abandono. “Ele prometeu cuidar de nós, mas desapareceu”, lamenta. A ONU reconhece que, mesmo em relações consensuais, o desequilíbrio de poder torna essas interações exploratórias.

A situação é ainda mais alarmante em meio ao contexto de conflito no leste do país. Goma, por exemplo, caiu nas mãos do grupo rebelde M23, resultando em milhares de mortes e uma crise humanitária que afeta mais de 8 milhões de pessoas. Muitas mulheres, como Maria, se veem forçadas a recorrer à prostituição para sustentar suas famílias, após serem abandonadas por agentes de paz.

A Força de Defesa Nacional da África do Sul afirma que leva as denúncias a sério, realizando tribunais militares quando há evidências de abuso. Contudo, a falta de responsabilização efetiva é um problema persistente. Um relatório da ONU de março de 2024 indicou um aumento nas denúncias de abuso sexual, com a Monusco sendo responsável por 66 das 100 denúncias registradas.

A porta-voz da Monusco, Ndeye Lo, afirmou que a missão possui uma política de tolerância zero e que medidas são tomadas quando denúncias são comprovadas. No entanto, muitas vítimas, como Kamate e Maria, não têm conhecimento dos recursos disponíveis e permanecem traumatizadas, sem buscar justiça.

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