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Uruguai avança na aprovação da primeira lei de eutanásia da América Latina

Uruguai avança na legalização da eutanásia, com expectativa de aprovação no Senado após votação favorável na Câmara de Deputados

Sessão na Câmara dos Deputados em Montevidéu, Uruguai, no dia 12 de agosto. (Foto: Parlamento de Uruguay)
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  • A Câmara de Deputados do Uruguai aprovou o projeto de lei “Morte Digna”, que legaliza a eutanásia para adultos com doenças incuráveis.
  • A votação ocorreu com 64 votos a favor e 29 contra, e o projeto agora segue para o Senado, onde a expectativa é de aprovação.
  • A proposta, originada no partido governista Frente Ampla, permite que adultos mentalmente aptos solicitem a eutanásia em casos de sofrimento extremo.
  • O pedido deve ser feito pessoalmente e por escrito, com a necessidade de duas opiniões médicas independentes.
  • O debate sobre a legalização da eutanásia no Uruguai começou em 2019, após o caso de Fernando Sureda, que clamou pela legalização devido à sua condição de saúde.

A Câmara de Deputados do Uruguai aprovou, na madrugada desta quarta-feira, o projeto de lei conhecido como “Morte Digna”, que legaliza a eutanásia para adultos com doenças incuráveis. A votação resultou em 64 votos a favor e 29 contra, e agora o projeto segue para o Senado, onde há expectativa de aprovação ainda este semestre.

A proposta, que teve origem no partido governista Frente Ampla, permite que pessoas maiores de idade e mentalmente aptas solicitem a eutanásia em casos de sofrimento extremo. O deputado Federico Preve destacou que a iniciativa visa garantir o direito de morrer com dignidade, respeitando a vontade do paciente. Para que a eutanásia seja realizada, o pedido deve ser feito pessoalmente e por escrito, com a necessidade de duas opiniões médicas independentes.

Contexto Histórico

O debate sobre a eutanásia no Uruguai ganhou força em 2019, após o caso de Fernando Sureda, que, diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), clamou pela legalização da prática. Sureda faleceu em 2020, e sua luta impulsionou a discussão sobre o tema no país. O apoio popular à legalização é substancial, com pesquisas indicando que a maioria da população uruguaia é favorável à medida.

O projeto de lei estabelece um sistema de garantias, semelhante ao que já existe em países como Bélgica e Países Baixos. Caso haja discordância entre os médicos, uma junta médica será convocada para resolver a situação em até cinco dias. Além disso, uma comissão honorária será criada para avaliar os casos anuais de eutanásia e enviar relatórios ao Ministério da Saúde.

Reações e Expectativas

O ex-deputado Ope Pasquet, que havia apresentado um projeto anterior sobre o tema, afirmou que a nova legislação representa um avanço liberal na história do Uruguai. Ele ressaltou a importância de respeitar a liberdade individual e a solidariedade com aqueles que enfrentam doenças incuráveis. Por outro lado, o deputado Rodrigo Goñi, da oposição, criticou a proposta, argumentando que a legalização da eutanásia poderia levar à desproteção do direito à vida.

Com essa aprovação, o Uruguai se posiciona como um pioneiro na regulamentação da eutanásia na América Latina, seguindo os passos de países como Colômbia e Equador, que despenalizaram a prática por meio de decisões judiciais. A expectativa é que a legislação avance rapidamente no Senado, consolidando o compromisso do país com questões sociais progressistas.

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