- A conferência internacional sobre a solução de dois Estados no Oriente Médio começa nesta segunda-feira, 23, na Organização das Nações Unidas (ONU).
- O evento é copatrocinado por França e Arábia Saudita e conta com apoio inédito de países como Reino Unido e Canadá para o reconhecimento da Palestina.
- A conferência ocorre em Nova York, antes da abertura da Assembleia Geral da ONU, e outros países, como Bélgica e Malta, podem também apoiar o reconhecimento.
- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que não haverá um Estado palestino a oeste do rio Jordão, enquanto os Estados Unidos tentaram limitar a participação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.
- Atualmente, 150 dos 193 países-membros da ONU reconhecem formalmente o Estado palestino, com a América Latina quase unânime nesse reconhecimento.
A conferência internacional sobre a solução de dois Estados no Oriente Médio, que se inicia nesta segunda-feira, 23, na ONU, marca um momento significativo na diplomacia global. O evento, copatrocinado por França e Arábia Saudita, reúne apoio inédito de países como Reino Unido e Canadá para o reconhecimento da Palestina, em um contexto de crescente insatisfação com Israel.
A conferência, realizada em Nova York, ocorre antes da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. A expectativa é que mais países, como França, Bélgica, Malta, Andorra, Luxemburgo e San Marino, também anunciem apoio ao reconhecimento da Palestina. Essa mudança na postura de nações ocidentais reflete uma transformação nas relações diplomáticas, especialmente após quase dois anos de conflito em Gaza.
Analistas internacionais expressam ceticismo sobre os efeitos práticos desse reconhecimento. Para Anas Iqtait, professor de economia política do Oriente Médio, “o reconhecimento não é uma política, é uma abertura”. Hugh Lovatt, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, ressalta que, embora simbólico, esse apoio é uma reafirmação dos direitos palestinos.
Isolamento de EUA e Israel
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu de forma contundente, afirmando que “não se estabelecerá um Estado palestino a oeste do rio Jordão”. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou a posição de países ocidentais como “imoral”. Enquanto isso, os Estados Unidos tentaram limitar a participação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, na assembleia, mas uma resolução permitiu sua participação por videoconferência, com apoio de 145 países.
Atualmente, 150 dos 193 países-membros da ONU reconhecem formalmente o Estado palestino. A América Latina é quase unânime nesse reconhecimento, com exceção do Panamá. O Brasil, por exemplo, reconhece a Palestina desde 2010. A tendência é que esse número aumente após a conferência, evidenciando a crescente pressão internacional sobre Israel e a necessidade de um diálogo renovado para a paz na região.
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