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Um século de luta molda o presente

Clara Charf, viúva de Carlos Marighella e fundadora da ONG Mulheres pela Paz, morre aos 100 anos, deixando legado à democracia e aos direitos humanos

Um século de luta
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  • Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, faleceu aos 100 anos em São Paulo na segunda-feira, 4 de novembro.
  • Sua trajetória é marcada pela luta pela democracia e pelos direitos humanos, sendo uma figura central na esquerda brasileira.
  • Ingressou no Partido Comunista Brasileiro aos 21 anos, conheceu Marighella e participou da Ação Libertadora Nacional, organização de resistência armada contra a ditadura.
  • Após o assassinato de Marighella, em 1969, Charf refugiou-se em Cuba por uma década e retornou ao Brasil em 1979, após a promulgação da Lei da Anistia.
  • Legado: esteve na fundação do Partido dos Trabalhadores e criou a ONG Mulheres pela Paz em 2003; em 2005, houve a indicação coletiva de mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos também retificou a certidão de óbito de Marighella, reconhecendo oficialmente a união do casal.

A militante Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, faleceu aos 100 anos em São Paulo, na segunda-feira, 4 de novembro. Sua trajetória é marcada pela luta pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil, sendo uma figura central na história da esquerda brasileira.

Charf ingressou no Partido Comunista Brasileiro aos 21 anos, onde conheceu Marighella. Juntos, participaram da Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de resistência armada contra a ditadura militar. Após o assassinato de Marighella em 1969, Clara fugiu para Cuba, onde viveu por uma década, retornando ao Brasil em 1979, após a promulgação da Lei da Anistia.

Legado e Reconhecimento

A ex-militante foi fundamental na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e na criação da ONG Mulheres pela Paz, em 2003. Esse movimento destacou-se por promover o protagonismo feminino e pela indicação coletiva de mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz, em 2005. O PT descreveu Clara como uma figura que dedicou sua vida à liberdade, justiça social e direitos humanos.

José Dirceu, ex-ministro, relembrou sua amizade e a importância de Charf na redemocratização do Brasil. “Ela sempre demonstrou grande solidariedade, mesmo em momentos difíceis”, destacou. Maria Marighella, sua neta, enfatizou o impacto de Clara na formação política de mulheres, enquanto o jornalista Mário Magalhães a definiu como uma das mulheres mais corajosas do país.

Reconhecimento da União

Recentemente, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos retificou a certidão de óbito de Marighella, reconhecendo oficialmente a união do casal, algo que não existia devido à clandestinidade durante a ditadura. A presidente do colegiado, Eugênia Gonzaga, ressaltou a importância desse reconhecimento para a família.

Clara Charf estava internada devido a complicações de saúde e faleceu de causas naturais. Sua morte ocorreu na véspera do 56º aniversário da morte de Marighella, simbolizando um ciclo de resistência e luta que perdurou por um século.

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