- O prédio emblemático Generalstaff, em Belgrado, foi alvo da OTAN em 1999 e era protegido como patrimônio desde 2005; em novembro de 2024 o governo da Sérvia revogou essa proteção, abrindo caminho para um complexo turístico pela Affinity Partners, de Jared Kushner.
- O Parlamento aprovou lei especial para facilitar a operação da empresa no Generalstaff, com investimento estimado em US$ 500 milhões para hotel de luxo, 1.500 unidades residenciais e museu.
- A população se mobiliza contra a privatização; milhares participaram de manifestação em frente ao Generalstaff, e o arquiteto Miljan Salata afirmou que a luta envolve a defesa do espaço urbano e da identidade local.
- A retirada da proteção é alvo de investigações por supostas irregularidades; a oposição contesta os documentos usados para revogação, e o Parlamento Europeu criticou repressão a manifestações e falta de liberdades na Sérvia.
- No âmbito político, o governo busca aproximação com a administração Trump em meio a tensões comerciais e possível eleição antecipada; a deputada Biljana Djordjevic ressaltou que a operação envolve a identidade cultural e histórica da Sérvia.
O emblemático prédio do Generalstaff, em Belgrado, foi alvo de bombardeios da OTAN em 1999 e, desde 2005, era protegido como patrimônio histórico. No entanto, em novembro de 2024, o governo da Sérvia retirou essa proteção, permitindo que Jared Kushner, genro do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, desenvolvesse um complexo turístico no local. A decisão gerou protestos e críticas da oposição.
Recentemente, o Parlamento sérvio aprovou uma lei especial que facilita a operação da Affinity Partners, empresa de Kushner, no Generalstaff. O projeto prevê um investimento de cerca de US$ 500 milhões e inclui a construção de um hotel de luxo, 1.500 unidades residenciais e um museu. A nova legislação foi aprovada com o apoio da maioria governista, apesar da resistência significativa da sociedade civil.
Pressão Social e Oposição
A população se mobiliza contra a privatização do espaço histórico. Na última manifestação, milhares de cidadãos se reuniram em frente ao Generalstaff para expressar seu descontentamento. O arquiteto Miljan Salata, presente nas protestas, destaca que a luta vai além do sentimento anti-OTAN, sendo uma defesa do direito da população sobre seu espaço urbano.
A retirada da proteção do edifício, realizada pelo governo do presidente Aleksandar Vucic, é alvo de investigações por supostas irregularidades. A oposição alega que os documentos apresentados para a revogação da proteção eram falsos. Além disso, o Parlamento Europeu criticou a repressão às manifestações e a falta de liberdades na Sérvia.
Implicações Políticas
A situação se agrava em um contexto de crise política para Vucic, que enfrenta pressão por eleições antecipadas. O governo busca se aproximar da administração Trump em meio a tensões comerciais, como a imposição de tarifas sobre produtos sérvios. A deputada Biljana Djordjevic ressalta que a operação não é apenas uma questão de urbanismo, mas envolve a identidade cultural e histórica da Sérvia.
O futuro do Generalstaff permanece incerto, com a população e especialistas clamando por sua preservação. A decisão de revogar sua proteção é considerada ilegal por muitos, e as consequências desse projeto turístico ainda estão por ser totalmente compreendidas.
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