- Trump assina ordem executiva sobre IA que busca impedir que estados regulem IA por conta própria, gerando atrito com a Califórnia.
- O governador da Califórnia, Gavin Newsom, reagiu chamando a medida de “grift” e “con”, criticando o que chamou de golpe político.
- Em setembro, a Califórnia aprovou lei de transparência para modelos avançados de IA (frontier models), com relatórios de segurança e multas por incidentes.
- A ordem cria um grupo de litígio de IA para revisar leis estaduais e, se for o caso, mover ações legais ou restringir financiamento federal de banda larga; há consulta com o “czar” de IA e cripto.
- Ação recebeu reação nacional de sindicatos, grupos de proteção infantil e legisladores, que consideram a medida prejudicial a direitos estaduais e faltando um framework federal.
O governo de Donald Trump publicou uma ordem executiva sobre IA a fim de reduzir regulações estatais. O documento visa impedir que estados imponham restrições próprias. A medida acontece no momento em que a Califórnia vinha avançando com regras de transparência para modelos de IA avançados.
A iniciativa gerou reação imediata na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a ordem, afirmando que ela favorece esquemas de corrupção e não promove inovação. A resposta incluía críticas de setores progressistas e de organizações envolvidas em defesa de crianças e trabalhadores.
A Califórnia já tinha aprovado uma lei de transparência para frontier models em setembro, servindo como blueprint regulatório para o setor. A norma exige relatórios de transparência e comunicação sobre incidentes de segurança, com multas de até US$ 1 milhão em caso de descumprimento.
Reação em âmbito estadual
Newsom afirmou que o estado pode servir de modelo para políticas equilibradas de IA, especialmente pela ausência de um marco federal abrangente. A ordem de Trump prevê a criação de um grupo de litígio em IA para revisar leis estaduais que não contribuam para a superioridade tecnológica dos EUA.
O grupo de litígio consultará o que a administração considera como leis a serem contestadas, com possibilidade de ações legais ou suspensão de fundos federais de banda larga. A expectativa é de ampliar conflitos entre governo federal e governos estaduais.
Oposição nacional
Críticas também chegaram de sindicatos, grupos de proteção infantil e legisladores. Líderes trabalhistas e defensores de segurança infantil argumentaram que a ordem prejudica salvaguardas existentes e concentra poder em grandes empresas de tecnologia.
Senadores da Califórnia e de outros estados destacaram que a medida ameaça a autonomia estadual na regulação de IA. Parlamentares enfatizaram a necessidade de padrões federais de segurança e responsabilidade, não de um afastamento de normas locais.
Contexto e desdobramentos
Antes da ordem, houve tentativas de moratória federal sobre IA, que não avançaram após oposição bipartidária. Críticos afirmam que a ação prioriza interesses de grandes empresas de tecnologia em detrimento de salvaguardas e direitos dos usuários.
Líderes de organizações de proteção infantil e de defesa do consumidor alertaram para riscos associados ao uso de IA por crianças. Grupos de pais organizaram campanhas públicas para fortalecer proteções em nível federal e estadual.
Rumos futuros
Analistas apontam que o choque entre a agenda presidencial e o arcabouço regulatório da Califórnia deve acelerar debates sobre o papel do governo na regulação de IA. O tema permanece polarizado entre incentivo à inovação e necessidade de salvaguardas.
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