- Lula pretende disputar o quarto mandato em 2026, enfrentando violência urbana, juros altos e um Congresso resistente ao Palácio do Planalto.
- Até abril de 2026, ao menos vinte ministros devem deixar o governo para disputar a eleição, incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o objetivo de fortalecer o palanque.
- O governo deve indicar Jorge Messias ao STF, e a sabatina depende de apoio no Senado, em meio a atritos entre Lula e líderes do Congresso.
- Segurança pública continua em debate: o Senado aprovou o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado; a PEC da Segurança Pública também está em pauta, para enfrentar o crime organizado.
- A relação com Donald Trump e os EUA persiste em tensão, com tarifas ainda em vigor para parte das exportações brasileiras; no âmbito interno, há preocupação com o rombo fiscal e a dívida pública em alta.
Lula encara 2026 com ano decisivo para a reeleição e a condução de um governo sob pressão. O presidente espera disputar o quarto mandato, mas terá de lidar com problemas históricos da sociedade brasileira, como violência urbana e juros altos, além de um Congresso resistente ao Palácio do Planalto. O desafio é manter a agenda reformista sem perder o ritmo da recuperação econômica.
A volta de Lula de férias, no Rio de Janeiro, marca o início de um ciclo em que o governo precisa equilibrar disputa interna, apoio político e governabilidade. A oposição, em especial o bloco conservador, mantém posição firme, aumentando a necessidade de alianças estratégicas para alcançar vitórias em governos estaduais, Senado e Câmara.
Saída de ministros e palanque
Ao menos 20 ministros devem deixar o governo até abril de 2026 para cumprir desincompatibilização eleitoral, entre eles o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Lula quer Haddad em palanque forte no estado de São Paulo, principal alvo da oposição. Rui Costa e Gleisi Hoffmann também preparam saída para intents legislativas.
Entre ministros do Palácio, Guilherme Boulos ainda não teve definição sobre sua permanência. Lula afirmou que não impedirá saídas, apenas torcerá para que os que saírem sejam eleitos. O vice-presidente Geraldo Alckmin é pauta de alinhamento para manter o posto na chapa.
Indicação ao STF e relação com o Congresso
A nomeação de Jorge Messias para o STF, vaga aberta por Barroso, enfrenta resistência no Senado, com críticas de lideranças como Davi Alcolumbre. A mensagem oficial ao Congresso deve ocorrer para abrir a sabatina, que depende de apoio mínimo de 41 votos.
No Parlamento, o governo trabalha para articular apoio à indicação, com reuniões entre Messias e senadores. A articulação também se volta para temas estratégicos, como o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e a PEC da Segurança Pública.
Segurança, crime organizado e projeto de anistia
Em 2025, Lula fechou acordos com a Câmara para votações de fim de ano ligadas a mudanças na segurança. O Marco Legal combate o crime organizado, com penas mais duras e tribunalização de lideranças, devolvendo o tema à Câmara para aprovação após senadores. A PEC da Segurança Pública é prioridade pública e parlamentar.
O governo também acompanha a tramitação do PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por atos golpistas. O veto presidencial pode ser derrubado por 257 votos na Câmara e 41 no Senado, mantendo o tema em discussão caso a medida vire lei.
Relação com os Estados Unidos e política externa
A relação com os Estados Unidos passou por tensões, com tarifas sobre produtos brasileiros e medidas contra o Judiciário brasileiro. Em 2026, Lula evita confrontos e busca diálogo, defendendo resolução por meio do multilateralismo e mantendo a América do Sul como zona de paz.
Encontros entre Lula e Donald Trump ocorreram em Nova York e na Malásia, com posicionamentos divergentes sobre intervenções internacionais. O Brasil mantém cautela e reitera prioridade ao caminho diplomático.
Economia e contas públicas
A economia apresenta sinais positivos, como menor desemprego e crescimento do PIB, mas o governo admite gasto elevado para estimular a atividade, com impacto na dívida pública. O déficit fiscal permanece em foco, com rombo de 83,8 bilhões até novembro.
A dívida do setor público consolidado deve chegar a 82,5% do PIB até o fim do governo, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. A alta da dívida pressiona a inflação e as taxas de juros, influenciando o ambiente econômico e as estratégias de política pública.
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