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Direita vê contradição entre Moraes e Trump, dizem especialistas

Especialistas apontam contradição da direita ao criticar Moraes e elogiar Trump, evidenciando polarização que impacta a percepção de imparcialidade

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Nicolás Maduro dentro de navio USS Iwo Jima, após prisão na Venezuela
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  • Especialistas dizem que há contradição na direita brasileira: criticam Moraes no STF e ao mesmo tempo elogiam ações de Trump, especialmente após a intervenção na Venezuela.
  • O professor José Augusto Fontoura Costa afirma que apoiar o presidente dos EUA pode significar validar uma ação ilegal contra um país que não fez ataque aos Estados Unidos.
  • Rubens Beçak destaca que a remoção de Maduro facilita a defesa de Trump, já que a oposição é vista sob a lente ideológica da direita.
  • Márcio Coimbra explica que a direita costuma aplicar uma lógica dual: condena medidas contra adversários e justifica ações em prol de seus aliados, conforme o foco ideológico.
  • A polarização é apontada como fator que dificulta a visão neutra, gerando dois pesos e duas medidas e colocando em risco a percepção de imparcialidade das instituições.

Especialistas ouvidos pelo UOL apontam uma contradição na direita brasileira: criticar ações de Alexandre de Moraes, ministro do STF, ao mesmo tempo celebrar decisões de Donald Trump, especialmente após a intervenção na Venezuela. O tema envolve a figura de Nicolás Maduro e a leitura de direitos humanos versus soberania nacional.

Segundo profissionais, essa dualidade é comum na política atual: defender ou criticar líderes conforme o alinhamento ideológico. Para José Augusto Fontoura Costa, professor de direito internacional, apoiar Trump pode significar validar ações consideradas ilegais em nações que não foram encaradas como agressoras pelos EUA.

Rubens Beçak, doutor em direito constitucional pela USP, ressalta que a remoção de Maduro do poder, sob a ótica de direitos humanos, facilita a defesa de uma postura favorável a Trump, ainda que haja riscos de conflitar com noções de soberania. A polarização também favorece leituras ambíguas.

Polarização e leituras assimétricas

Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e especialista em direito internacional, résumé a posição de parte da direita: Moraes seria visto como prejudicial à democracia por supostamente agir sem os ritos processuais, enquanto a intervenção na Venezuela é encarada como justificada pela defesa de direitos humanos. Para ele, a defesa de princípios pode depender de quem executa a ação.

Beçak argumenta que a mesma lógica pode ocorrer em outros campos, com a esquerda silenciando ou apoiando regimes considerados autoritários sob o manto da autodeterminação dos povos. A tendência, segundo o professor, é que a ideologia molde a avaliação de cada ato, independentemente de sua natureza jurídica.

Efeito sobre a percepção pública

Especialistas destacam que essa forma de leitura favorece um utilitarismo do direito, no qual regras são rígidas contra adversários políticos, mas flexibilizadas para aliados. O resultado pode levar a descrédito de decisões judiciais e a um sentimento de que todos os atores são iguais, o que fragiliza a confiança institucional a longo prazo.

A análise reforça a ideia de que a polarização dificulta visões neutras e impede a avaliação objetiva de atos governamentais, especialmente em temas sensíveis como democracia, ordem pública e direitos humanos.

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