- Lula quer criar uma “frente da soberania” no Sul para resistir a interferências estrangeiras, alinhando discurso regional de união.
- O aumento de lideranças de direita na região atrapalha esse objetivo, especialmente com posições de Milei e outros aliados.
- Na última cúpula do Mercosul, Milei discordou do Brasil; Orsi e Peña mostram alinhamentos mais moderados, enquanto Kast representa pauta conservadora no Chile.
- Foaram anunciados dois novos componentes: Bolívia (Rodrigo Paz) e Chile (José Kast), ampliando o bloco com posições distintas.
- O Itamaraty defende diálogo e destaca a necessidade de estabilidade regional, com foco em interesses brasileiros em petróleo, minérios e biodiversidade, sem mencionar Maduro diretamente.
O governo brasileiro busca reforçar uma frente regional em defesa da soberania, incluindo o Sul da América do Sul. A iniciativa ocorre em meio ao aumento de lideranças de direita na região e a percepção de interferência externa. O objetivo é manter um discurso de união independente da ideologia local.
A ideia é apresentar ganhos mútuos ao praticar uma coordenação sul-americana com foco em estabilidade, minimizeda interferência externa e defesa de interesses nacionais. A referência aos Estados Unidos é indireta, ligada a ações históricas na região.
Divergências na cúpula do Mercosul
Na última cúpula, realizada em Foz do Iguaçu, o presidente argentino Milei discordou do tom brasileiro ao defender intervenção norte-americana na Venezuela. A posição brasileira contrastou com esse posicionamento, ampliando o debate regional sobre intervenções externas.
Ao lado de Milei, o Uruguai e o Paraguai vêm se alinhando ao bloco de direita, ainda que com tons diferentes. Já Bolívia e Chile passaram a reconfigurar seus instrumentos de atuação política, marcados por mudanças significativas no quadro eleitoral.
Núcleos de alinhamento e estratégias
A Bolívia teve Rodrigo Paz eleito pelo Partido Democrata Cristão, encerrando 20 anos de governo de esquerda. O Chile, por sua vez, elegeu José Kast, com apoio de setores de direita que defendem pautas conservadoras. Esses movimentos influenciam o ambiente regional e as relações com o Brasil.
O Itamaraty afirma manter o diálogo como eixo central, destacando que a estabilidade regional pode conter impactos de ações externas. A diplomacia brasileira aponta que um cenário estável na Venezuela pode reduzir tensões e ampliar cooperação econômica.
Perspectivas internas e (in)certezas
Internamente, o governo pretende manter o discurso de soberania para consolidar apoio político, alinhando-se a estratégias eleitorais. A pauta incluirá riquezas nacionais, como minerais estratégicos e biodiversidade, com atenção a interesses externos.
Especialistas destacam que, embora a possibilidade de intervenção direta seja considerada improvável, a região pode enfrentar maior atrito diplomático. A defesa de políticas soberanas tem sido reiterada em pronunciamentos oficiais.
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