- Um assessor sênior do presidente cipriota, Charalambos Charalambous, pediu demissão após um vídeo de oito minutos que, segundo a oposição, revela suposta corrupção ligada a investimentos no país.
- O vídeo, postado no X em oito de janeiro, mostra currentes e ex-funcionários discutindo investimentos em Chipre com pessoas que se apresentam como empresários.
- Charalambous negou irregularidades e afirmou que participações foram usadas de forma distorcida; ele é relacionado por casamento ao presidente Nikos Christodoulides.
- A videoconferência menciona doações a um fundo de bolsas gerido pela esposa do presidente, Philippa Karsera, que também deixou o cargo; o fundo é questionado por transparência.
- A polícia investiga a origem do vídeo; autoridades buscaram ajuda de Estados Unidos, Israel, França e Grécia para rastrear as pessoas envolvidas.
O assessor sênior do presidente do Chipre pediu demissão após a divulgação de um vídeo que, segundo a oposição, mostra corrupção em alto nível. A saída ocorreu nesta segunda-feira, em Nicósia, após a publicação de um vídeo de oito minutos que circula online e tem dominado as manchetes.
O vídeo, divulgado no X em 8 de janeiro, mostra atuais e ex-funcionários de alto escalão discutindo investimentos em Chipre com personas que se apresentam como empresários. Charalambos Charalambous, que coordenava o escritório privado do presidente Nikos Christodoulides, nega irregularidades, mas pediu demissão.
Charalambous também era um dos dois responsáveis no governo por um processo acelerado de investimentos no país. O material sugere a possibilidade de direcionar recursos para projetos de responsabilidade social corporativa. O conteúdo não foi verificado de forma independente pela Reuters.
Apesar da defesa da integridade, a oposição sustenta que o vídeo expõe esquemas de favorecimento e aponta para uma possível conivência de autoridades com práticas corruptas. O presidente Christodoulides afirmou adotar tolerância zero com corrupção e rejeitou qualquer acusação indevida.
Investigação e reações
A polícia investiga a origem do vídeo e algumas das alegações apresentadas. Não há detalhes adicionais divulgados oficialmente sobre quem entregou as imagens ou quem financiou as operações mostradas.
A esposa de Christodoulides, Philippa Karsera, que ocupava um cargo ligado a uma fundação de bolsas de estudo, deixou o papel no domingo. Ela classificou o conteúdo como ataque injustificado de notícias falsas e afirmou que ser cônjuge do presidente não justifica ataques sem embasamento.
Membros da oposição cobraram respostas mais claras. O deputado Stefanos Stefanou, da AKEL, afirmou que a posição do governo sugere complacência com velhos hábitos de impunidade. Autoridades de segurança pediram cooperação de parceiros internacionais para rastrear a origem das gravações.
Segundo fontes do governo, as conversas mostradas no vídeo indicam que investidores se apresentaram como interessados em um aporte de cerca de 150 milhões de euros em projetos energéticos. O paradeiro dos supostos interessados é desconhecido e o site da empresa não está mais disponível.
A polícia e os serviços de inteligência do Chipre buscaram apoio de Estados Unidos, Israel, França e Grécia para a apuração do caso. O valor convertido citado é de aproximadamente 175 milhões de dólares.
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