- A taxa de mortalidade materna no Reino Unido aumentou 20% entre 2009‑11 e 2022‑24, mesmo a promessa dos conservadores de reduzi-la pela metade até 2025 (ou 2030).
- mortes diretas relacionadas à gravidez subiram 52%, enquanto mortes indiretas cresceram 3% nos mesmos anos.
- a principal causa de morte durante a gravidez ou até seis semanas depois continua sendo coágulos sanguíneos, doenças que podem ser tratadas se identificadas precocemente.
- houve desigualdades acentuadas: risco quase triplicou entre mulheres negras em relação às brancas; mulheres asiáticas também apresentaram risco maior; em áreas mais pobres, o índice quase duplicou.
- especialistas alertam que serviços de maternidade operam sob pressão extrema e demandam mais investimento e recursos, sob risco de novas complicações evitáveis.
O índice de mortalidade materna no Reino Unido aumentou 20% entre 2009-2011 e 2022-2024, segundo dados do projeto MBRRACE-UK. A elevação ocorreu mesmo com promessas do governo conservador de reduzir esse índice, apresentadas ao longo da última década.
A pesquisa analisa mortes de mulheres durante a gravidez ou até seis semanas após o parto. O número de mortes diretamente associadas à gravidez subiu 52%, com complicações como pré-eclampsia, sangramentos e trombose entre as principais causas. Já as mortes por condições pré-existentes, agravadas pela gestação, cresceram apenas 3%.
O estudo aponta que o pico de óbitos diretos está ligado a eventos que podem ser detectados e tratados precocemente, se houver vigilância adequada. O índice de mortalidade indireta manteve-se relativamente estável nos últimos 15 anos.
Desigualdades e respostas
Os dados mostram desigualdades marcantes: mulheres negras apresentam quase o triplo de risco em comparação às brancas, e mulheres asiáticas também enfrentam maior probabilidade de falecer. Moradoras das áreas mais pobres têm quase o dobro de risco, em relação às menos carentes. Mulheres com 35 anos ou mais registraram maior mortalidade do que aquelas entre 25 e 29.
A Royal College of Midwives destacou que o sistema de maternidade opera sob pressão extrema. A direção da instituição ressalta que muitas mortes são evitáveis e criticou a lentidão na implementação de melhorias de longo prazo. A entidade defende investimentos contínuos em serviços de maternidade e na força de trabalho.
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