- Uganda realiza eleição tensa enquanto o presidente Yoweri Museveni busca um quinto mandato; votação ocorre nesta quinta-feira com internet restrita no país.
- O opositor mais conhecido é o cantor Bobi Wine, que tenta desafiar Museveni, em meio a protestos e violência durante a campanha.
- As forças de segurança passaram a prender centenas de apoiadores de Wine e, segundo relatos, houve pelo menos uma morte em atos de campanha.
- O governo afirma agir para evitar desordem e culpa a oposição por conduta ilegal; a ONU aponta repressão e intimidação generalizadas.
- A sucessão permanece em foco, com a expectativa de que Museveni, de 81 anos, possa indicar o herdeiro, embora haja divergências dentro do partido.
Uganda realiza nesta quinta-feira uma eleição presidencial marcada por tensões sobre a sucessão de 40 anos no poder e por restrições à internet durante a campanha. O presidente em exercício, Yoweri Museveni, busca um quinto mandato, enquanto o popular músico Bobi Wine ameaça desafiá-lo.
O pleito ocorre em meio a denúncias de violência durante a campanha e a repressão a apoiadores da oposição. A segurança tem atuado com força nas ruas de Kampala, e houve relatos de prisões em massa e de mortes associadas a eventos de Wine.
A votação inclui também a escolha de mais de 500 assentos na Assembleia. Museveni, 81 anos, governa desde 1986 e já alterou a constituição para ampliar seus mandatos. A imprensa local e organismos internacionais têm observado o processo com cautela.
Wine, de 43 anos, é apelidado de “Presidente da Ghetto” por suas origens humildes e promete encerrar o que chama de ditadura. Mais de 70% da população tem menos de 30 anos, o que caracteriza o perfil demográfico da disputa.
O governo nega abusos e defende as ações de segurança como resposta a condutas consideradas ilegais pela oposição. O acesso à internet e a serviços móveis foi restrito para evitar o que classificam como disseminação de desinformação.
A comunidade internacional tem acompanhado o pleito com cautela. Em eleições anteriores, organizações de direitos humanos já haviam citado repressão e intimidação. A votação encerra às 16h locais, com resultados esperados em até 48 horas.
Analistas avaliam que Museveni mantém forte apoio institucional e diplomático, além de possuir controle sobre instituições do país. Mesmo assim, a disputa com Wine representa um teste sobre a força de mobilização da oposição.
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