- Boitempo Editorial reuniu entrevistas com Karl Marx e Friedrich Engels, incluindo relatos de militantes, em edição de 160 páginas e preço de 53 reais.
- O volume mostra as diferenças entre Marx, mais reflexivo, e Engels, direto e militarista, além de telas de como eram vistos nos círculos militantes da época.
- As entrevistas abordam a relação entre teoria e prática, a emancipação dos trabalhadores pela via da autocom emancipação e o papel da Internacional dos Trabalhadores (I Internacional).
- Marx destacava o vínculo entre ciência e aperfeiçoamento da destruição, defendendo o socialismo como alternativa à guerra na Europa; Engels era mais otimista, com base no crescimento eleitoral da Social-Democracia Alemã.
- O livro também registra visões sobre a possibilidade de guerra na Europa, com Engels criticando a Rússia e o debate sobre a defesa nacional, e cita Rosa Luxemburgo como dissidente importante durante a Primeira Guerra Mundial.
O portal apresenta a edição recém-lançada de entrevistas de Karl Marx e Friedrich Engels, compiladas pela Boitempo Editorial. O livro reúne também relatos de militantes que conheceram os dois autores. O objetivo é mostrar o vínculo entre teoria e prática no marxismo.
Segundo a apresentação de Murillo van der Laan, as entrevistas ajudam a compreender o que os próprios entrevistados diziam fora de textos escritos. Os relatos permitem ver como Marx e Engels eram vistos nos círculos militantes da época.
Marx é retratado como pensador que respondia a perguntas hostis com desenvoltura, enquanto Engels aparece como direto, com foco em aspectos militares quando necessário. As entrevistas são posteriores à morte de Marx, em 1883, e indicam visões distintas, porém complementares.
O material discute ainda a possibilidade de guerra na Europa e a posição da social-democracia alemã. Engels criticava a Rússia e, mesmo sem prever uma guerra geral, via a Alemanha em posição de vítima caso o conflito chegasse ao continente. A defesa nacional era tema relevante para o período.
O livro traz também a ressalva de que, para Marx, a emancipação dos trabalhadores depende de sua auto-emancipação e da autonomia de cada seção da Internacional dos Trabalhadores. A ideia é mostrar como a Internacional orientava estratégias segundo as condições de cada país.
Ainda segundo os relatos, a visão de Marx sobre o progresso científico, ligado ao aumento da capacidade destrutiva, servia de alerta para que o socialismo fosse uma resposta prática às ameaças da guerra. A independência do movimento operário era enfatizada.
Historicamente, o material também aponta momentos de tensão ideológica, como a relação entre as ideias de Marx e Engels e as críticas recebidas de jornais conservadores da época. A obra ressalta a importância de manter o marxismo como instrumento de análise e transformação contínua.
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