- A Faria Lima e o Centrão passam a mirar Ratinho Júnior (PSD) como alternativa para ampliar a terceira via e reduzir a polarização entre Lula e Bolsonaro.
- Tarcísio de Freitas enfrenta fragilidades: dependência de Bolsonaro para governar São Paulo e dificuldade de construir caminho próprio na política nacional.
- Um episódio recente mostrou o governador paulista cancelar uma visita a Bolsonaro após pressão de Flávio, expondo fragilidade estratégica e fragilidade eleitoral entre o próprio campo.
- Pesquisa AtlasIntel divulgada em 21 de outubro aponta Lula com vantagem em cenários com ambos os candidatos, enquanto Flávio tem apoio maior entre a base bolsonarista e Tarcísio fica atrás.
- Ratinho Júnior é visto como vantagem por não poder disputar terceiro mandato, ter PSD mais centrado e trajetória autônoma, o que aumenta a aposta nele como possível terceira via, ainda que as pesquisas mostrem desempenho aquém de Tarcísio.
O ambiente político que circula pela Faria Lima mantém o objetivo de derrotar Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O grupo busca substituir Flávio Bolsonaro por um nome mais moderado capaz de atrair o eleitor que rejeita o petista e cansa do bolsonarismo. O plano A continua sendo Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo.
Tarcísio atua fortemente ligado a Bolsonaro. Ele foi eleito em 2022 em uma campanha alinhada à tentativa de reeleição do ex-presidente. Essa ligação molda seu governo, que não conseguiu estabelecer distância significativa do bolsonarismo, mesmo com alto índice de aprovação.
- O governo não condenou a tentativa de golpe de 8 de janeiro e_participou de pressões contra o STF para defender Bolsonaro.
- Chamou o ministro Alexandre de Moraes de “tirano” em atos bolsonaristas, mantendo alinhamento com a linha do ex-presidente.
- Não houve dissidência relevante de Tarcísio em relação a Bolsonaro durante a gestão da pandemia.
Desafios políticas e estratégicos
O segundo problema é político: Tarcísio é visto como articulador pouco ágil, com leitura política limitada, reflexo de sua dependência de Bolsonaro. Um episódio recente expôs esse problema ao fazer uma visita ao ex-presidente sobre uma possível prisão domiciliar a Bolsonaro, que foi antecipada por Flávio Bolsonaro.
O governador paulista acabou cancelando a visita após o movimento do irmão, revelando fragilidade na coordenação entre o governo de São Paulo e o núcleo bolsonarista. O episódio também abriu brecha para a percepção de traquinias entre a base de apoio de Bolsonaro.
Essa medida animou o grupo que sustenta Flávio na cena da extrema direita, aumentando a percepção de que Tarcísio pode perder espaço para o candidato do bolsonarismo. A pesquisa AtlasIntel aponta esse cenário, com Lula em 48%, Flávio em 28% e Tarcísio em 11%.
Cenário de Ratinho Junior
Diante do quadro, a aposta de mercado passa a mirar Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná. O grupo entende que Ratinho tem vantagens institucionais para uma postulação nacional, incluindo a restrição constitucional de apenas dois mandatos, o que favorece a construção de uma candidatura de centro.
O PSD é visto como party com posição mais centrada e liderança de Kassab, operadores experientes que margeiam o governo Tarcísio e mantêm alianças com diferentes campos. Ratinho tem uma imagem de gestão reconhecida, com vacinação contra a Covid-19, o que pode ampliar o apelo entre eleitores de centro.
Apesar das oportunidades, Ratinho Júnior ainda apresenta desempenho de pesquisa abaixo de Tarcísio, e os dois aparecem com menor notoriedade nacional frente a Flávio. A expectativa é de que, nos próximos meses, haja crescimento de reportagens positivas sobre Ratinho e seus bastidores de articulação econômica.
A leitura geral indica que a hipótese de Ratinho Júnior ganhar tração depende de movimentos que desçam do espaço de competição direta com Flávio, buscando uma via de terceira via para reduzir a polarização. Resta acompanhar a evolução dos cenários políticos nos próximos meses.
Entre na conversa da comunidade