- Trechos do depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal indicam que ele afirmou ter conversado pessoalmente com o governador Ibaneis Rocha sobre a venda do banco Master; Ibaneis confirmou o contato, mas negou ter feito tratativas.
- Vorcaro disse que os encontros ocorreram entre 2024 e 2025, em sua residência e na casa do governador, alimentando controvérsia sobre a posição do governo do Distrito Federal.
- O depoimento sustenta que o negócio avançou com apoio do governo local e só seria interrompido pelo Banco Central; há possibilidade de aporte de recursos do orçamento do Distrito Federal para cobrir prejuízos.
- Ibaneis Rocha negou os fatos, afirmando que esteve apenas em um almoço de apresentação na casa de Vorcaro, mantendo-se em silêncio durante o encontro.
- A investigação envolve a suposta fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco BRB, com rombo estimado em cerca de R$ 4 bilhões; o BRB admite a possibilidade de registrar prejuízos e considerar aportes públicos para cobrir perdas.
O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal, vazado nesta sexta-feira, traz informações sobre a venda do banco Master ao BRB e cita uma possível participação do governador Ibaneis Rocha. O governo do DF negou envolvimento direto na condução da operação.
Segundo o documento, Vorcaro informou ter conversado pessoalmente com Ibaneis em duas ocasiões sobre a venda, ocorridas entre 2024 e 2025, em residências próprias e na casa do governador. O depoimento contradiz o distanciamento officially defendido pelo governo local.
Ibaneis Rocha respondeu ao jornal Estadão que esteve no encontro apenas para um almoço de apresentação, em que não houve tratativas. A afirmação do governador aponta para um contato pontual, sem participação ativa na operação conforme sua versão.
A PF questionou Vorcaro sobre ligações políticas em Brasília e ele confirmou contatos com Ibaneis, sem citar outras pessoas. O depoimento se insere na investigação sobre suposta fraude ligada à venda de carteiras ao BRB, com prejuízo estimado em bilhões aos cofres públicos.
Contexto financeiro e operacional
Vorcaro detalhou que o Master crescia captando recursos com juros acima do mercado, apoiado pela garantia do FGC em caso de quebra. Ele afirmou que o banco enfrentava liquidez constante e dependia da cessão de ativos para manter o caixa, processo considerado legal, mas impactado por mudanças regulatórias.
Ele afirmou ainda que o anúncio da venda ao BRB fechou o mercado para o Master, contribuindo para o fim das operações da instituição. A defesa do modelo foi apresentada como atuação comum, antes de mudanças regulatórias.
Desdobramentos para o BRB e o DF
PF e Ministério Público Federal apontam que o BRB pode ter desembolsado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras sem lastro, o que abriu caminho para novas apurações sobre crimes financeiros. O BRB avalia, neste momento, potenciais prejuízos e contingências.
O banco estatal já sinaliza a possibilidade de registrar perdas ligadas às operações do Master e cogita receber aporte financeiro do governo do Distrito Federal, para conter impactos aos cofres públicos. A oposição acompanha o tema com cobrança de responsabilidade política.
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