- A Polícia Federal flagrou o prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto, o Júnior Evaristo, negociando propina e pedindo um “brinde do dia das mães” ao sócio da Dismed, fornecedora de medicamentos do município.
- A operação Mederi apura desvio de verbas na compra de remédios em ao menos cinco cidades do Rio Grande do Norte, incluindo Paraú, Serra do Mel, Mossoró, São Miguel e José da Penha.
- Em Mossoró, na sede da Dismed, a PF encontrou R$ 52 mil em dinheiro vivo; a conversa interceptada mostra trata de comissões, com menção de dez por cento.
- Onde a PF aponta: Oseas Monthalggan Fernandes Costa seria articulador comercial; o prefeito seria o elo para viabilizar as operações e manter exclusividade de fornecimento.
- Em junho de 2025, a PF mostrou indícios de pagamento de propina com seis pagamentos somando R$ 48,1 mil entre 8 de abril e 5 de maio; entre 2024 e 2025, a prefeitura já havia pago R$ 336,8 mil à Dismed.
O prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto, o Júnior Evaristo (PP), é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de desvio de verbas na compra de medicamentos. A operação Mederi envolveu a prefeitura de Paraú e outras cidades do Rio Grande do Norte. A PF informou que houve a negociação de propina e menção a um brinde do Dia das Mães durante a reunião com o empresário de uma empresa fornecedora.
A PF aponta que o encontro ocorreu na sede da empresa Dismed, em Mossoró, no dia 8 de maio de 2025. O aparelho de vigilância capturou o momento em que dinheiro vivo era manuseado e um diálogo sobre comissões da compra de remédios, com menção a 10% de propina. Os investigadores veem o prefeito como elo crucial no esquema.
A investigação também ligou o prefeito ao intermediário da empresa, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio da Dismed. Oseas seria o articulador comercial, responsável pelas relações com o município e pela exclusividade nas contratações, segundo a PF.
Na avaliação da PF, o diálogo sugere divisão de funções: Oseas controlaria valores e prazos, enquanto Júnior Evaristo facilitaria as operações administrativas. A referência ao brinde e à aceitação de benefícios auxilia a caracterização do relacionamento entre eles.
Entre 8 de abril e 5 de maio, a prefeitura de Paraú realizou seis pagamentos que somam 48,1 mil reais, conforme levantado pela PF. Entre 2024 e 2025, a Dismed recebeu 336,8 mil reais pela venda de medicamentos ao município. Os agentes consideram indicativo de propina.
A defesa da Dismed afirma que os diálogos devem ser examinados com o acesso integral aos autos. A empresa sustenta atuação lícita de 18 anos no mercado atacadista de medicamentos e nega irregularidades. Sobre o dinheiro na sede, a defesa diz tratar-se de recursos legais decorrentes da atividade comercial.
O desembargador do TRF-5 rejeitou o pedido de afastamento do prefeito, impondo fiança de 100 mil reais e o uso de tornozeleira eletrônica. O intermediário da Dismed teve suspensão de atividade econômica determinada pela Justiça. Outras prefeituras do estado foram requisitadas a apresentar contratos com as empresas investigadas.
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