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Oposição e PT trocam lideranças; Motta entra no 2º ano sob pressão

Com calendário curto e ano eleitoral, Motta tenta reorganizar a pauta e reduzir conflitos, enquanto a oposição troca de liderança para manter pressão

Presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta reduzir pressão por parte do governo e da oposição na condução da pauta da Casa (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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  • Hugo Motta encara o segundo ano à frente da Câmara com o objetivo de reorganizar a agenda e reduzir conflitos, diante de um 2025 marcado por embates.
  • Na oposição, Cabo Gilberto Silva (PL) assume a liderança do bloco oposicionista, substituindo Luciano Zucco; o PT traz Pedro Uczai para a liderança, substituindo Lindbergh Farias.
  • A pauta inicial de 2026 deve priorizar a PEC da Segurança Pública após o carnaval, com outras medidas provisórias relacionadas ao Gás do Povo, à renegociação de dívidas de produtores rurais e à criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano.
  • Motta sinaliza aproximação com o governo e Lula, mirando a atuação conjunta em votações, mesmo mantendo resistência a temas de interesse do Planalto em alguns momentos.
  • A oposição também pretende derrubar o veto à dosimetria das penas dos atos do 8 de janeiro e acompanha a possibilidade de abrir a CPI do Banco Master, ainda sem instalação neste momento, num cenário de calendário legislativo curto.

Oposição e PT trocam de lideranças na Câmara para retomar o trabalho em 2026, ano eleitoral. Motta entra no segundo ano sob pressão, buscando reorganizar a pauta após um 2025 de embates. A abertura de trabalhos ocorreu nesta segunda-feira, 2 de janeiro, em Brasília.

A reorganização envolve o bloco de oposição, que leva Cabo Gilberto Silva para a liderança no PL, substituindo Luciano Zucco. Silva, conterrâneo de Motta, afirma que pretende manter a pressão, mas aposta no diálogo com o presidente da Casa.

No PT, Lindbergh Farias deixa a liderança e é substituído por Pedro Uczai, visto como mais conciliador e alinhado à educação, tema de interesse do comando da Câmara. O rompimento entre Motta e Farias ocorreu em novembro, com o chefe da Casa anunciando o fim da relação.

Para a cientista política Letícia Mendes, a troca de lideranças pode alterar a dinâmica interna. Ela aponta que o líder atua como articulador com o presidente para definir prioridades e votações, e que relações mais EVITAM crises internas.

Motta tenta reorganizar a agenda e buscar diálogo com o Planalto

Paralelamente às mudanças, Motta conduz reuniões com líderes para definir o calendário do ano. O objetivo é iniciar 2026 com votações mínimas definidas e menos conflitos.

Entre as prioridades destacam-se a PEC da Segurança Pública após o carnaval, e, em segundo plano, questões ligadas à justiça e à economia. Estão na pauta medidas provisórias sobre o programa Gás do Povo e a renegociação de dívidas de produtores rurais, além da criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano.

A aproximação com o governo federal ganha espaço. Motta sinalizou serenidade quanto ao veto do presidente Lula à dosimetria das penas, afirmando que o Congresso também poderá analisar o veto, dentro de sua prerrogativa.

Especialista avalia que a estratégia tem viés eleitoral. A aproximação pode beneficiar Motta na disputa pela reeleição na Paraíba, sem abrir mão de manter pressão sobre o governo em temas-chave.

Oposição planeja ações de pressão

Mesmo buscando diálogo, a oposição sinaliza ações firmes. Em reunião de líderes, Motta indicou que não deve instalar a CPI do Banco Master neste momento, apesar de assinaturas já reunidas, e não definiu data para votar o veto à dosimetria.

Entre os cenários, há a possibilidade de articulação entre a CPI do Banco Master, o veto à dosimetria e as emendas orçamentárias vetadas, com foco em pautas de alto impacto para o governo.

Analista aponta que início de ano pode trazer apontamentos fortes. Nos primeiros dias de 2026, temas de segurança pública, gás de cozinha e regramentos sobre atos regulatórios ganham relevância, conectando-se aos interesses eleitorais dos parlamentares.

Independente do cenário, a expectativa é de continuidade da polarização, porém sem repetir crises institucionais de 2025. A ideia é avançar com regras estáveis, alinhando governo e oposição para um ambiente legislativo mais previsível.

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