- Estudo conjunto aponta falhas no Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da prefeitura de São Paulo, que opera com até 40 mil câmeras e tem custo mensal de até R$ 9,8 milhões.
- Segundo o relatório de transparência, houve 1.246 abordagens desde o início da operação, resultando em 1.153 prisões, sendo 540 classificadas como “outros” sem detalhamento.
- Faltam transparência e há inconsistências técnicas, com 23 pessoas conduzidas indevidamente por reconhecimento facial e 82 presas e depois liberadas; há acusações de que o sistema reforça desigualdades raciais e geográficas.
- O uso do Smart Sampa para ações como pensão alimentícia aparece entre os principais crimes, o que evidencia prisões não relacionadas à segurança pública; há concentração de prisões no centro e na Cracolândia, com perfil racial majoritário entre os detidos (25% negros, 18,49% pardas, 6,60% pretas, 16,01% brancas; 58,9% sem informação de raça).
- A prefeitura afirma redução de roubos e outros crimes em 2025, destaca contrato até 2028, investimento de até R$ 10 milhões e que os alertas são validados por agentes humanos, mantendo 99,5% de assertividade.
O Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da prefeitura de São Paulo, é alvo de críticas em uma nota técnica que aponta fragilidades e impactos na privacidade. A avaliação envolve o LAPIN, o Instituto de Referência Negra Peregum e a Rede Liberdade, com base em dados oficiais de transparência.
Segundo o relatório, o sistema opera com até 40 mil câmeras desde 2023, com custo mensal estimado em 9,8 milhões de reais. A análise aponta falta de transparência na gestão de dados e inconsistências operacionais que geram resultados questionáveis para a segurança pública.
A nota destaca que o sistema tem registrado falsos positivos e prisões indevidas, elevando preocupações sobre o equilíbrio entre segurança e direitos fundamentais. As entidades questionam a eficácia real do programa diante dos riscos apresentados.
Resultados e críticas
Dados do relatório indicam 1.246 abordagens desde o início da operação, resultando em 1.153 prisões, sendo 540 classificadas como “outros” sem detalhamento. Os crimes mais frequentes foram roubo, tráfico de drogas e furto.
A partir de LAI, mais de 90% das ocorrências classificadas como “outros” referem-se a pensão alimentícia, sugerindo prisões pouco relacionadas à segurança pública. Dados da SSP mencionam recordes de feminicídios e aumento de homicídios na capital entre 2024 e 2025.
A análise aponta concentração de prisões no centro e periferias, com foco no Brás e ações na Cracolândia. O documento afirma que o sistema reforça segregação racial, vigilância desigual e policiamento seletivo, alimentando desigualdades históricas.
Ainda há falhas técnicas relatadas, com ao menos 23 pessoas conduzidas indevidamente e 82 presas e liberadas posteriormente. O uso do Smart Sampa para localização de pessoas desaparecidas também é questionado pela defesa de direitos digitais.
O relatório afirma que a prefeitura declara não armazenar dados pessoais, o que contrasta com o uso de reconhecimento facial e levanta dúvidas sobre as bases de dados utilizadas e sobre proteção de crianças e adolescentes conforme LGPD.
Ponto de vista da prefeitura
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmou que oficiais da SSP indicam redução de roubos, roubos de veículo e latrocínios em 2025. O contrato de operação vai de agosto de 2023 a agosto de 2028, com investimento mensal de até 10 milhões.
A gestão sustenta que as câmeras são utilizadas exclusivamente para segurança pública, em conformidade com a LGPD, e que todos os alertas são validados por agentes humanos. Segundo a nota, não houve registro de prisões injustas por abordagens iniciadas pelo sistema.
Ao balanço oficial, o Smart Sampa aponta 2.709 prisões de foragidos, 3.650 prisões em flagrante, localização de 153 pessoas desaparecidas e atendimento a 2.017 ocorrências envolvendo veículos.
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