- Kathy Jefferson Bancroft, guardiã do Owens Lake, morreu em 25 de janeiro de 2026, aos 71 anos.
- Dedicou décadas a tratar o vale como lugar com obrigações, não apenas como ativo a ser explorado, atuando para mitigar a poeira do lago seco.
- Iniciou no projeto de mitigação de poeira de Owens Lake em 2002, como monitora de recursos culturais tribais, e later tornou-se Oficial de Preservação Histórica Tribal para a Tribo Lone Pine Paiute–Shoshone.
- Defendia a integração do conhecimento indígena com a ciência ocidental, buscando que decisões considerassem prazos e impactos de longo prazo.
- Envolveu-se em disputas contra mineração em Conglomerate Mesa, fiscalização de estratégias de mitigação da poeira e enfatizou que a participação tribal é fundamental, não decorativa.
Kathy Jefferson Bancroft, conhecida como guardiã do Owens Lake, faleceu em 25 de janeiro de 2026 aos 71 anos. Sua trajetória ficou marcada pela defesa de um lago que, para as comunidades Paiute e Shoshone, representa história, responsabilidade e relação com a terra. O legado dela se consolida pela insistência de tratar o vale como um lugar com obrigações, não apenas como ativo.
Nascida e criada no Owens Valley, Bancroft ouviu, ainda criança, relatos da avó sobre o lago cheio, migrantes e uma paisagem rica em água e alimento. A memória de previsões sobre a seca futura a acompanhou ao longo da vida, moldando sua visão de que a chuva e o vapor do lago não seriam apenas recursos, mas vínculos culturais.
Em 2002, ao retornar à região, iniciou o trabalho de monitoramento cultural tribal no projeto de mitigação de poeira do Owens Lake, acompanhado de perto pela Los Angeles Department of Water and Power. Mais tarde tornou-se responsável pela proteção histórica tribal para a tribo Lone Pine Paiute–Shoshone, liderando uma equipe dedicada a fiscalizar as ações na área.
Legado e atuação
Bancroft resistiu a rótulos e preferiu caminhar pela prática. Ao questionar procedimentos que não levavam em conta a visão indígena, ela destacou momentos em que medidas eram suspensas após objeções formais, gerando mobilização de moradores e tribais em defesa de locais sagrados.
Sua formação em biologia e química, aliada à experiência prática, permitiu-lhe atuar como ponte entre saberes tradicionais e científicos. Atribuía à sabedoria indígena um papel essencial para ampliar a compreensão dos impactos ambientais a longo prazo.
O Owens Lake, para Bancroft, era mais que um local de trabalho ou de estudo ambiental. Ela descrevia o vale como um espaço vivo, com locais sagrados e pontos de violência histórica que mereciam preservação, não remoção para exploração.
Sua atuação abrangeu oposição a projetos de mineração em áreas como a Conglomerate Mesa, fiscalização de medidas de mitigação de poeira que envolviam movimentação de material, e pressão por participação tribal como componente central das decisões, e não apenas decorativa.
Ao estabelecer alianças com comunidades japonesas-americanas associadas a Manzanar, Bancroft mostrou que o vale comporta múltiplas histórias de deslocamento. Em cada atuação, enfatizou que o lago tem uma função social e espiritual que requer tutela ao longo do tempo.
Ela defendia uma visão de governança hídrica baseada em responsabilidade coletiva, não em posse individual. Em várias ocasiões, repetiu que a água não é um direito absoluto, mas uma responsabilidade que atravessa gerações e necessidades de comunidades tradicionais.
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