- Charlotte Mortlock, criadora da Hilma’s Network, deixou o Partido Liberal e abriu mão da diretoria executiva do grupo, citando os acontecimentos recentes.
- A saída ocorre dias depois da destituição da primeira líder mulher do Liberal e a preocupação de mulheres do partido com uma possível reação negativa do eleitorado.
- Mortlock defendia quotas de gênero para 50% de representação feminina e um posicionamento mais progressista sobre a crise climática.
- A proposta de reservar 40% das pré-seleções federais para mulheres, apresentada ao executivo de Nova Gales do Sul, teria sido retirada da pauta para 7 de março.
- Com a saída de Ley, apenas cinco entre 27 deputados do Liberal são mulheres na bancada, e 11 de 23 senadoras são do partido, gerando dúvidas sobre o apoio de eleitoras femininas.
Charlotte Mortlock deixou o Liberal Party e encerrou sua atuação na Hilma’s Network, grupo que criou para reunir mulheres alinhadas ao liberalismo. A saída acontece poucos dias após a derrota de Sussan Ley na liderança do partido, no contexto da tensão interna sobre a representatividade feminina.
Mortlock, ex-assessora da coalizão para Andrew Bragg, era voz ativa na pressão por uma postura mais progressista frente à crise climática e defendia cotas de gênero para elevar a participação feminina a 50% no Liberal. A decisão foi anunciada neste fim de semana.
A executiva da Hilma’s Network também informou ter deixado o cargo de diretora executiva e abriu mão da filiação ao Liberal. Segundo ela, há outras formas de apoiar mulheres e o conjunto da população australiana diante dos recentes acontecimentos.
Além das mudanças, o partido discute propostas ligadas à participação feminina. A revisão de 2022, com participação de Jane Hume, apontou falhas na captação de eleitoras e sugeriu metas para candidatas e parlamentares, incluindo cotas não vinculantes.
O ex-ministro Karen Andrews comentou sobre possível repercussão pública, destacando que as eleitas na bancada feminina também merecem espaço maior no front bench. Trabalhadores do partido afirmam que votantes femininos já teriam se mostrado menos receptivos desde 2022.
Hume reconheceu os desafios e reiterou que a liderança atual precisa convergir com as demandas de mulheres dentro do partido para reconquistar apoio entre eleitoras. O fim de Ley deixa apenas cinco das 27 deputadas liberais na Câmara e 11 das 23 senadoras, segundo dados internos.
Reações e próximos passos
Dirigentes apontam que há espaço para ampliar a participação feminina na bancada de Angus Taylor, novo líder, e para retomar a agenda de mulheres com maior peso em decisões estratégicas. A expectativa é de que o tema continue em pauta nas estruturas do partido.
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