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Mortes em prisões no Equador sobem novamente, apesar da estratégia de Noboa

Mortes em prisões do Equador sobem em 2025, com 206 mortes por violência entre 1.220 óbitos; persiste o ciclo mesmo com a estratégia de Noboa e a intervenção militar

Media tour at the Litoral militarized prison, in Guayaquil
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  • Em 2025, foram 1.220 mortes de detentos no país, sendo ao menos 206 causadas por violência entre facções, o maior total desde 2021.
  • As mortes por violência cresceram quatro vezes em relação ao ano anterior. As demais causas incluíram doença, suicídio e outras, com aumento de 256% em relação a 2024.
  • O governo reconhece superlotação nas prisões (30,6%), com aumento de casos de tuberculose e problemas de saúde, alimentação e condições generalizadas, segundo familiares e organizações de direitos humanos.
  • A população carcerária nacional subiu 7,6%, para 35.454 pessoas, contribuindo para espaços ocupados além da capacidade e danos decorrentes de riotings.
  • O governo manteve estratégia de endurecimento, com uso de militares em penitenciárias, transferência de internos de alto risco e construção de novas prisões, como o Complexo El Encuentro, com planos de ampliar a capacidade.

O governo do Ecuador enfrentou nova escalada de mortes de presos em 2025, mesmo sob a estratégia de segurança do presidente Daniel Noboa, que desde 2023 busca retomar o controle das prisões. Dados obtidos por meio de um pedido de acesso à informação mostram que as mortes cresceram para 1.220 no ano, com aumento significativo de casos violentos e de causas naturais, incluindo uma epidemia de tuberculose.

Conforme as informações, 206 mortes ocorreram em confrontos entre facções ou por violência dentro dos estabelecimentos, número quase quatro vezes maior que o registrado em 2024 (46). A maior parte das demais mortes foi atribuída a doenças, suicídios e causas não determinadas. O total de mortes por todas as causas representa o maior registro desde 2021, quando houve o ápice de violência carcerária.

O governo reconhece superlotação e aponta ações de saúde, testes de doenças e atendimento médico como resposta, enquanto organizações de direitos humanos destacam condições precárias, violência e falta de alimentação adequada. Relatos de familiares indicam que a presença militar pode ampliar abusos já denunciados anteriormente.

A administração Noboa tem mantido o uso de militares em alguns penitenciários, construção de novas prisões mais robustas e transferência de internos de alto risco. O objetivo é reduzir a violência, desmantelar operações de drogas e extorsão, e evitar motins que marcaram o período de 2021 e 2022.

Dados sobre o sistema prisional

O Ministério do Interior aponta superlotação de 30,6% em prisões adultas. Em 2025, a população carcerária nacional aumentou 7,6%, para 35.454 pessoas. Muitos módulos estão danificados por motins, levando à ocupação de celas menores. Em 2024, a taxa de superlotação em instalações juvenis não estava acima do limite; em 2025, atingiu 15,3%.

Em meio a esse contexto, o governo informou que operações militares desmontaram parte das operações criminosas dentro de prisões, com encerramento de atividades como contrabando de drogas, extorsões e planejamento de ataques. Também foram encerradas atividades recreativas de alguns espaços prisionais para reduzir riscos.

Ambiente e denúncias

Relatos de familiares citados pela imprensa apontam que a presença militar agrava as condições, com relatos de abusos e falta de comida adequada. Além disso, há denúncias de violência institucional, com relatos de tratamento considerado desumano por parte de autoridades. O governo nega recursos inadequados e afirma que há fornecimento de alimentação e cuidados médicos, ainda que reconheça dificuldades com a infraestrutura.

Uma das medidas destacadas pelo governo é a transferência de internos de alta periculosidade para o Centro de Detenção El Encuentro, modelo de prisão de segurança máxima com capacidade para 800 pessoas. A pasta da Justiça planeja abrir novo complexo com more de 15 mil vagas até 2027, para enfrentar a superlotação persistente.

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