- Um ministro do Trabalho do Reino Unido, Josh Simons, foi acusado pelo Guardian de ter envolvido jornalistas em uma auditoria a oficiais de inteligência e de vinculá-los falsamente a propaganda pró-Rússia em e-mails a autoridades de segurança em 2024.
- Os e-mails mostram Simons e o chefe de gabinete do Labour Together, Ben Szreter, pedindo que o NCSC investigasse a origem de uma matéria do Sunday Times sobre doações não declaradas do thinktank.
- Também constam tentativas de identificar jornalistas específicos — Gabriel Pogrund e Harry Yorke, do Sunday Times, e Paul Holden — com ligações a uma “rede pró-Kremlin” e com supostos laços com inteligência russa.
- O APCO Worldwide foi contratado em 2023 para investigar a origem da reportagem, e seu relatório foi encaminhado aos serviços de segurança, segundo os e-mails, que apontavam também possíveis hackeamentos.
- O NCSC decidiu não abrir investigação sobre as alegações; Simons enfrenta apuração ética do governo, enquanto Holden e outras testemunhas contestam as acusações, dizendo tratar-se de uma campanha de difamação.
O Guardian apurou que o ministro do Trabalho, Josh Simons, envolveu-se diretamente em nominar jornalistas a autoridades de inteligência britânicas e em associá-los a uma suposta rede pró-Rússia. O episódio ocorreu em 2024, quando Simons comandava o think tank Labour Together.
Os e-mails, obtidos pela reportagem, mostram Simons e seu chefe de gabinete, Ben Szreter, pedindo ao National Cyber Security Centre (NCSC) para investigar a origem de uma matéria do Sunday Times sobre doações não declaradas pelo Labour Together. A comunicação ocorreu poucas semanas após Simons encomendar um relatório à APCO Worldwide.
Segundo os encontros descritos, Simons e Szreter mencionaram jornalistas específicos e sugeriram vínculos com propaganda pró-Kremlin, além de expor informações pessoais. A solicitação foi apresentada ao NCSC em janeiro de 2024, com anexos da APCO.
A APCO, contratada em 2023, tinha por objetivo apurar a origem das informações, sugerindo, sem evidência clara, que o material poderia ter origem em hackers ligados à Rússia. O contrato previa também uso de dados para moldar narrativas para a mídia.
Ao longo de 2024, as comunicações indicaram que Simons chamou o NCSC para analisar a possível origem hackeada dos documentos obtidos pelo Electoral Commission. A resposta oficial foi pela não abertura de investigação.
Algumas pessoas citadas negaram as acusações, alegando má-fé e descrevendo a tentativa como uma campanha de difamação. Representantes de Simons afirmaram que as alegações são falsas e que não houve divulgação de contatos com autoridades.
O caso também envolve a discussão pública sobre as doações de Labour Together, avaliadas em torno de £730 mil, com a Electoral Commission multando o think tank por falhas na declaração. Simons enfrenta investigações internas no âmbito da ética do governo.
As comunicações apontam ainda para ligações entre Holden, jornalista do Sunday Times, e Andrew Murray, assessor próximo a Jeremy Corbyn. Holden rejeita as ligações com qualquer propaganda e ressalta que investiga questões relevantes para a integridade eleitoral.
Reações e próximos passos
- A NCSC avaliou as informações, decidindo não abrir investigação sobre as alegações.
- Simons afirmou estar surpreso e indignado ao saber que o relatório continha informações não pertinentes.
- A chefia do Labour Together ainda não informou se houve divulgação dos e-mails para órgãos competentes.
Fontes: reportagens do Guardian.
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