- Documentos mostram que oficiais da CBP nas Ilhas Virgens Americanas cultivaram amizades com Jeffrey Epstein anos após sua condenação de 2008, buscando aproximá-lo e recebê-lo em visitas à ilha.
- Epstein chamava alguns oficiais de “amigos” e, em troca, desabafava sobre supostos maus-tratos por outros agentes, além de convidá-los para passeios de helicóptero e visitas a Little Saint James.
- Em alguns casos, Epstein chegou a convidar oficiais para almoços ou encontros informais; houve situações em que o piloto de Epstein facilitava o contato com os agentes.
- Oficiais citados foram identificados em expedientes de grande júri e subpoenas de investigação, ligados a suspeitas de fraude ao governo dos EUA, mas nenhum deles foi formalmente indiciado.
- A investigação, liderada pelo Departamento de Justiça e pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, envolveu interrogatórios e pedidos de informações a agências como TransUnion; respostas oficiais não foram divulgadas.
Diligências do Departamento de Justiça dos EUA indicam que agentes da CBP atuantes nas Ilhas Virgens Americanas mantinham relações próximas com Jeffrey Epstein anos após a sua condenação em 2008, revelando uma tentativa do sex offender de firmar aliados. Documentos e registros mostram contatos frequentes, visitas à ilha particular e encontros para lazer, além de troca de mensagens largas entre Epstein e oficiais.
Entre os oficiais, aparecem relatos de amizade com Epstein, que chegou a convidar alguns para almoços em Little Saint James e a planejar passeios de observação de baleias em seu helicóptero. Em alguns casos, Epstein teria incluído esses oficiais em viagens e trocado mensagens sobre contatos, sem que haja, contudo, acusações formais contra eles até o momento. Ao menos um deles se aposentou com benefício.
As investigações, chefiadas pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, não identificaram conduta criminosa que levasse a acusações contra os oficiais mencionados. Ainda assim, as informações apontam padrões de comportamento que especialistas em ética governamental consideram inadequados e potencial violação de diretrizes federais, com subpoenas dirigidas a terceiros para auxiliar as autoridades.
Os documentos também descrevem um conjunto de ações ligadas ao caso Epstein, incluindo tentativas de coletar informações de agências de crédito sobre pessoas associadas, com a participação de terceiros vinculados a Epstein, segundo registros de 2020. As ações foram objeto de subpoenas emitidas pela Justiça e encaminhadas a empresas de dados, para apurar possíveis fraudes contra o governo.
O piloto particular de Epstein, Larry Visoski, relatou ao FBI que, em algumas ocasiões, Epstein interveio em questionamentos de passageiros durante o cruzeiro pela área de USVI, quando eles eram avaliados pela CBP. As investigações indicam que Epstein buscava fortalecer relações com oficiais da CBP, inclusive sugerindo que o pessoal de segurança fosse contatado diretamente por ele.
Relatos de 2014 a 2016 descrevem visitas de oficiais da CBP a Little Saint James para atividades diversas, como encontros sociais e apresentações musicais, conforme registros de e-mails e mensagens. Um oficial também foi citado por ter realizado serviços de percussão, com acordos informais de pagamento que, segundo algumas comunicações, não teriam custos obrigatórios.
Ao superar o intercâmbio de mensagens e contatos, as investigações destacam que Epstein reconhecia publicamente o papel de alguns oficiais e, por vezes, expressava satisfação com o funcionamento de tais laços. Especialistas em ética pública ressaltam que o objetivo dessas regras é manter a imparcialidade, evitando situações que possam questionar a integridade dos agentes.
Em entrevista, um ex-funcionário da CBP afirmou que não houve participação criminosa efetiva com Epstein, e que as visitas à ilha ocorreram apenas em contextos profissionais. A reportagem apura que as investigações seguiram para esclarecer se houve violação de diretrizes éticas, sem encaminhamento para acusação formal contra os oficiais na época.
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