- Guardian mostrou que Josh Simons, então à frente do Labour Together, ligou falsamente jornalistas a uma rede pró-Kremlin em e-mails para o NCSC.
- O caso provoca pressão política e levanta pedidos de demissão ou afastamento, além de uma investigação de ética no governo.
- As apurações indicam que não houve hack, nem evidência de envolvimento da Rússia; Simons pressionou funcionários a investigarem as fontes.
- Anteriormente, Simons contratou a Apco para investigar dois jornalistas do Sunday Times sobre uma história de doações não declaradas de cerca de £ 730 mil ao Labour Together, que foi multado pela Electoral Commission.
- Novos documentos sugerem que a matéria do Sunday Times teve origem em vazamentos de membros do Labour Party, e não de um hack; o NCSC já havia concluído que houve um hack da Electoral Commission, atribuído a China, com registros eleitorais como conteúdo.
O ministro do Trabalho enfrenta cobrança para demissão após alegações falsas contra jornalistas. A revelação vem de uma reportagem do Guardian, que mostrou Josh Simons vinculando jornalistas a uma suposta rede pró-Kremlin em emails enviados ao GCHQ. Ele atuava como líder do Labour Together na época.
A investigação aponta que Simons chegou a concluir que jornalistas teriam obtido informações sobre o think tank a partir de um hack russo. O episódio intensifica a pressão sobre o ministro, que já responde a uma apuração interna de ética no departamento.
Emails de janeiro e fevereiro de 2024, encaminhados por Simons e um assessor ao National Cyber Security Centre, mostraram pedidos para que autoridades apurassem as fontes dos jornalistas. Segundo o Guardian, uma jornalista foi mencionada por morar com a filha de um ex-assessor de Jeremy Corbyn.
A revelação também envolve a tentativa de investigar uma matéria do Sunday Times sobre doações políticas não declaradas ao Labour Together, revelando 730 mil libras em doações não declaradas e multa de mais de 14 mil libras pela Electoral Commission. A matéria de 2023 ligou isso a Morgan McSweeney, ex-assessor do líder do Partido, Keir Starmer.
Acreditando haver informações obtidas por hack, Simons contratou a Apco, agência de relações públicas americana, para investigar dois jornalistas do Sunday Times e as fontes da reportagem. O material sugeria ligações com uma rede pró-Kremlin e com hackers.
Após a conclusão do relatório da Apco, Simons afirmou aos órgãos de segurança que as informações teriam sido disseminadas para jornalistas pró-Rússia envolvidos em operações de hack and leak. O chefe de gabinete de Labour Together indicou que os dados teriam vindo de jornalistas ligados a redes pró-russas.
Um jornalista freelancer que forneceu documentos ao Sunday Times mostrou ao Guardian materiais que indicam que a reportagem se apoiou em arquivos vazados por whistleblowers do próprio Labour. A NCSC já havia concluído, na época, que houve um hack na Electoral Commission, realizado pela China.
Resposta oficial de Simons afirmou que Labour Together contratou a Apco para investigar informações obtidas por Paul Holden para um livro. A defesa destacou que o objetivo era esclarecer a origem das informações, não necessariamente confirmar as acusações.
Desdobramentos
- Políticos de diferentes espectros pedem que Simons seja afastado ou demitido, citando responsabilidade ministerial pela ética e por investigações governamentais.
- Críticos argumentam que o episódio aumenta a pressão sobre o governo, em meio a apurações de conduta e à apuração interna já em curso.
- A avaliação sobre o futuro político de Simons dependerá das investigações em curso e das declarações oficiais do governo sobre o caso.
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