- Em 2026 entra em vigor a cláusula de barreira, que determina um desempenho mínimo para manter recursos do fundo partidário e tempo de propaganda; as metas sobem até 2030.
- Pelo menos nove partidos estão em situação delicada e precisam superar o desempenho de 2022 para atingir a exigência de 13 deputados federais ou 2,5% dos votos válidos.
- Para evitar inviabilidade financeira, há duas saídas: fusão entre siglas ou federação, sendo a fusão a opção mais drástica e a federação mais neutra, mantendo estruturas separadas.
- Entre os mais vulneráveis estão Novo (5 deputados, 1 senador) e outros como Solidariedade (5 deputados), PRD (5 deputados), PSDB (14 deputados, 3 senadores), Cidadania (5 deputados), Avante (8 deputados), Podemos (16 deputados, 4 senadores) e PDT (16 deputados, 3 senadores).
- Existem ainda pequenos com chances menores, como PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade, que integram federações, além de siglas com probabilidade muito baixa de alcançar a cláusula, como PSTU, DC, PCO e Agir.
Em 2026, a cláusula de barreira pode eliminar ou reduzir a atuação de siglas com baixo desempenho em votações nacionais. Criada em 2017, a regra exige um mínimo de votos para manter recursos do fundo partidário e tempo de rádio e TV. Sem esse desempenho, a sobrevivência fica inviável.
O debate gira em torno de fusões, federações ou extinções de legendas. Partidos que não atingirem a meta precisam eleger ao menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara para manter recursos e tempo de propaganda.
Especialistas afirmam que fusão é a opção mais drástica, enquanto federações podem ser estratégias menos disruptivas. A fusão soma números de deputados e fortalece a participação na Câmara; a federação preserva estruturas, mas alinha ações entre siglas.
Para Leandro Gabiatti, fusão é medida extrema e federação, uma alternativa mais suave, mantendo autonomias. “Federações fortalecem grandes siglas e ajudam menores a superar a cláusula”, diz. Sem esses mecanismos, legendas pequenas enfrentam inviabilidade financeira.
Entre os desdobramentos possíveis, partidos podem buscar alianças para superar a meta de 2026 ou se reorganizar por meio de fusões que ampliem o número de membros na Câmara. A cláusula de barreira avança progressivamente até 2030, elevando o desafio para as siglas.
A lista de partidos mais vulneráveis neste cenário inclui Novo, Solidariedade, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PDT e Missão. Abaixo, as situações de cada um, com base em deputados e senadores atuais.
Novo, da direita, tem 5 deputados e 1 senador. Mesmo após mudanças e entradas de nomes conhecidos, o partido aposta em ganhos para alcançar cerca de 25 deputados e quatro senadores em 2026, fortalecendo a posição frente à cláusula.
Solidariedade, de centro-esquerda, soma 5 deputados e nenhum senador. Sem grandes nomes urbanos, articula federação com o PRD para evitar a fragilidade fiscal e eleitoral, mas enfrenta grande desafio sem puxadores de votos.
PRD, de centro, soma 5 deputados e nenhum senador. Resultado da fusão entre PTB e Patriota, depende de novos resultados para chegar aos 13 deputados necessários e manter o acesso a recursos.
PSDB, de centro-esquerda, possui 14 deputados e 3 senadores. Em crise, encerra federação com o Cidadania e busca novo caminho para federar, após tentativa frustrada de aliança com o Podemos.
Cidadania, de centro-esquerda, tem 5 deputados e nenhum senador. Em processo de término de federação com o PSDB, projeta tentar se federar ao PSB para manter viabilidade, sob o risco de não alcançar a meta.
Avante, de centro, reúne 8 deputados e nenhum senador. O partido encara alerta pela ausência de grandes nomes e pela defesa da não adesão à federação, mantendo foco em renovação interna.
Podemos, de centro, soma 16 deputados e 4 senadores. Após sinalizar independência, o partido segue com potencial para superar a barreira, desde que reeleja bancada e amplie nomes qualificados.
PDT, de esquerda, possui 16 deputados e 3 senadores. Histórico partido relevante, tenta articular federação com o PSB para manter protagonismo e evitar perda de espaço político.
Missão, de direita, não tem deputados nem senadores. Fundado por membros do MBL, é uma das siglas com maior risco de não atingir a cláusula e recusa federações; aposta em nomes em ascensão para ganhar visibilidade.
Além disso, outros pequenos partidos, como PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade, costumam compor federações que devem manter-se nos próximos anos, favorecendo a viabilidade. Partidos que não integram grandes alianças enfrentam maior fragilidade financeira.
Entre as considerações estratégicas, a orientação é buscar fusões ou federações apenas quando necessário, para manter continuidade institucional. A depender dos resultados de 2026, algumas siglas podem se manter ativas, mesmo com desempenho próximo do mínimo.
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