- Servidores do IBGE divulgaram uma carta aberta com abaixo-assinado, denunciando represálias internas e pedindo autonomia institucional, além de mudança no modelo de escolha da presidência.
- O movimento reforça a crise na gestão de Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do governo.
- Segundo o documento, mais de vinte servidores deixaram cargos entre 2023 e 2024, com novas desligamentos previstos para 2025 e uma ruptura no núcleo da produção em 2026.
- A carta cita a saída da coordenação de Contas Nacionais, Rebeca Palis, como símbolo de perda de critérios técnicos e aumento de decisões administrativas com viés político.
- Os signatários defendem a adoção de lista tríplice para a presidência e mencionam a PEC 27/2021, que propõe maior autonomia técnica e orçamentária para o IBGE e órgãos afins.
Servidores do IBGE divulgaram uma carta aberta acompanhada de um abaixo-assinado denunciando ações de retaliação dentro do órgão e pedindo apoio público à autonomia institucional. O movimento cobra mudanças no modelo de escolha da presidência, sob a gestão de Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Lula no início do governo.
Segundo a carta, o conflito com a gestão atual se intensificou nos últimos meses, com exonerações e pressões internas. O documento afirma que não se trata de divergência ideológica, mas da preservação da credibilidade de quase nove décadas do IBGE.
A imprensa teve acesso ao texto e a reportagem busca o posicionamento do IBGE. A Assibge-SN, ligadas à categoria, reforçam que a insatisfação é generalizada e aponta para prejuízos institucionais diante de decisões administrativas com viés político.
Para os signatários, entre 2023 e 2024 mais de 20 servidores deixaram cargos por discordâncias técnicas ou de compliance com a gestão. O documento cita saídas em 2025 e, em janeiro de 2026, a ruptura atingindo o núcleo da produção estatística.
Entre os casos citados está a saída da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, durante a construção da nova base do PIB. Os signatários veem como exemplo de fragilização de critérios técnicos e memória institucional.
Autonomia e modelo de governança
O abaixo-assinado enfatiza o papel central do IBGE na formulação de políticas públicas, como PIB, inflação e censos. Submeter a credibilidade a mudanças políticas pode impactar decisões orçamentárias e a segurança jurídica.
A carta defende que a credibilidade depende de controle interno robusto e de preservação da autonomia. Propõe debate técnico transparente e participação qualificada para evitar prejuízos à área técnica.
Os signatários também defendem mudança no modelo de presidência, defendendo lista tríplice eleita pelos servidores em vez de indicação direta pela Presidência, prática já adotada por outras instituições.
A defesa da autonomia é ligada à PEC 27/2021, que propõe tornar órgãos como IBGE instituições permanentes de Estado com maior autonomia técnica e orçamentária. A leitura é de salvaguarda estrutural da instituição.
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