- A Warner Bros. Discovery pediu ao Supremo Tribunal Federal uma liminar para exibir a série documental sobre os Arautos do Evangelho.
- A decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida pelo ministro Benedito Gonçalves, proibiu a menção a investigações sobre abusos nos internatos da ordem.
- A Warner argumenta que não é parte no inquérito nem tem acesso aos autos, mas pode ser censurada por exibir dados que não estariam protegidos pelo segredo de justiça.
- O documentário, intitulado Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho, tinha previsão de estreia ainda neste ano; a Endemol Shine informou que o lançamento seria em 2026.
- O grupo foi criado no Brasil por João Clá Dias e, em 2019, a reportagem da CartaCapital publicou relatos de ex-integrantes e familiares sobre abusos psicológicos e humilhações nos internatos.
A Warner Bros. Discovery acionou o STF para assegurar a exibição do documentário sobre os Arautos do Evangelho, alegando censura prévia após decisão do STJ. A empresa pediu liminar com caráter de urgência na sexta-feira, 20, para manter a produção. O objetivo é veicular a série mesmo sem acesso a autos sigilados.
A ação sustenta que a Warner não é parte do inquérito, não tem acesso aos dados protegidos e pode ter sua obra cerceada por informações não sigilosas. A indicação é de que o material, produzido de forma independente, não se confunde com investigações sigiladas.
O STJ, em decisão tomada a pedido do Instituto Educacional Arautos do Evangelho, proibiu a menção a investigações durante o lançamento. O magistrado afirmou que a divulgação antes de trânsito em julgado poderia violar a privacidade de envolvidos e o segredo de justiça, comprometendo eventual provimento final.
O documentário Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho estava programado para 2026, com três episódios. A Endemol Shine havia anunciando o projeto no ano passado, destacando as controvérsias, denúncias de abuso e investigações, inclusive as conduzidas pelo Vaticano.
O grupo, criado no Brasil por Monsenhor João Clá Dias, atua em mais de 70 países. Em 2019, a CartaCapital publicou relatos de ex-integrantes e pais sobre abusos psicológicos, humilhações e assédio em internatos do grupo, que também motivaram debates públicos.
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