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Aumento de imposto sobre eletrônicos e queda de pesquisas impactam Planalto

Aumento do imposto sobre eletrônicos aumenta atrito no Planalto, enquanto pesquisas apontam queda de aprovação e fissuras internas no governo

Presidente Lula fala durante entrevista — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
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  • A gestão de Lula enfrenta queda nas pesquisas, com a Quaest mostrando 49% de desaprovação e 45% de aprovação, sinalizando divisão estável e pressão sobre o Planalto.
  • Houve aumento da alíquota do imposto de importação sobre eletrônicos, iniciativa elaborada pelo MDIC com a participação da Fazenda; membros do governo disseram ter tomado conhecimento da medida pela imprensa.
  • Deputado Nikolas Ferreira acusou o governo de subir impostos; ministros afirmaram ter descoberto a medida pela imprensa ou pela oposição e buscaram identificar quem propôs a ideia.
  • O governo recuou de decreto que previa a concessão de três hidrovias na Amazônia (Tapajós, Madeira e Tocantins) após pressão de povos indígenas e protestos contra a privatização de rios.
  • No PL Antifacção, governo e PT discordaram do texto aprovado pela Câmara em relação ao acordo com o Senado, mas o Planalto preferiu apresentar o resultado como vitória, com possibilidade de futuras correções.

Com o presidente Lula patinando em pesquisas e diante do avanço de Flávio Bolsonaro na cena política, o governo vive divergências internas nas últimas semanas. A tensão acentuou-se com a alta da alíquota de importação de eletrônicos, divulgada pela imprensa na semana passada.

A medida, Internal MDIC elaborada com a Fazenda, aumentou a tributação de mais de mil produtos, incluindo smartphones. Ministros relataram ter tomado conhecimento do tema pela imprensa ou pela oposição, gerando buscas por responsabilidades internas sobre a origem da iniciativa.

Na avaliação dos auxiliares, o aumento não deveria ser revogado, mas há pressão para avaliação de impactos no preço de aparelhos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o efeito será regulatório e de baixo impacto. A decisão permanece em monitoramento.

Recuo em hidrovias e desgaste interno

No início da semana, o governo recuou de decreto que previa a concessão de três hidrovias na Amazônia — Tapajós, Madeira e Tocantins — no Programa Nacional de Desestatização. A decisão ocorreu após protestos de povos indígenas, incluindo ocupação de instalações da empresa Cargill em Santarém, no Pará.

O episódio provocou embates dentro do governo, com o lançamento de críticas entre integrantes do núcleo palaciano. Lula foi aconselhado por aliados a recuar para não ampliar o desgaste em sua base, lembrando precedentes de 2013, quando protestos contra tarifas de transporte ganharam adesão nacional.

Avanço do PL Antifação e plano de comunicação

Na tramitação do PL Antifacção, governo e PT debateram o tom de divulgação após a aprovação. O texto aprovado divergiu do acordo negociado no Senado e não agradou aos aliados. Mesmo assim, o Planalto apresentou o resultado como vitória, sinalizando possíveis correções futuras.

Entre as fontes do Planalto, a posição favoreceu manter o apoio ao combate ao crime organizado, com a decisão orientada pela necessidade de consistência da agenda de segurança pública. O ministro Sidônio Palmeira apoiou a linha adotada.

Panorama político e próximos passos

O governo ainda enfrenta a resistência de segmentos evangélicos e desgaste com gestos de Carnaval, impactando a percepção pública. A aposta é de que a aprovação de propostas de melhoria na popularidade, como a pauta de segurança, possa compensar parte do desgaste.

Auxiliares do Planalto afirmam que a gestão continuará monitorando a recepção das medidas, ajustando a comunicação conforme necessário. A milhagem política permanece condicionada ao desempenho das pautas administrativas e ao ritmo de aprovação no Congresso.

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