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Artistas bangladeshês divididos sobre o futuro do país após eleição histórica

Após eleição livre, Bangladesh encara tensões entre a velha guarda e o movimento revolucionário, com artistas usando fotografia documental para debater democracia e violência

Taking it to the streets: life-sized photographs of protest on the sidewalk during the Chobi Mela photography festival
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  • Após eleições livres, o BNP assumiu o poder ao lado da rival Awami League, em meio a debates sobre continuidade da mudança prometida pela revolução de 2024.
  • O país viveu um período de violência e violência política; mais de mil pessoas foram mortas na escalada que derrubou o governo de 15 anos de duradoura liderança de Hasina.
  • A arte é espaço de debate sobre o futuro: exposições e projetos de fotógrafos documentais discutem a relação entre revolução, insegurança e sociedade civil.
  • Um memorial e uma mostra fotográfica destacam as pessoas desaparecidas durante o regime de Hasina, populando o debate sobre verdade, reconciliação e accountability.
  • Indígenas relatam marginalização e censura sob o novo contexto político, com artistas usando linguagem simbólica para expressar memórias de conflito e persistência cultural.

Parlamento de Dhaka recebeu uma noite de fevereiro com carros de passeio verdes e tongas parados na calçada, enquanto fotógrafos e visitantes circulavam entre retratos de mulheres na linha de frente da revolução. A instalação da mostra Women in the July Uprising questiona o destino das pessoas após a mudança. Um festival de fotojornalismo traz à tona a tensão entre arte, política e memória.

Depois de três semanas de violência no verão de 2024, a ditadura de 15 anos de Sheikh Hasina acabou com a atuação de protestos que tomaram o complexo parlamentar. Menos de dois anos depois, cerca de 70 milhões de eleitores aprovam uma nova orientação política, com a vitória do BNP ao lado da rival Awami League. A eleição é vista por alguns como sinal de continuidade mesmo após a ruptura revolucionária.

Para artistas de Bangladesh, o período pós-revolução traz riscos e inspiração. A arte documental é usada para debater mudanças, desigualdades e os dilemas de identidade do país. A curadora Jannatul Mawa descreve a mostra como tentativa de traduzir em imagens o impulso de 2024, quando estudantes femininas desafiavam o medo cultural.

Em 2024, apenas sete mulheres foram eleitas entre 300 cadeiras, ao passo que o Jamaat-e-Islami teve seu melhor desempenho histórico. O relato exibido pela mostra enfatiza a necessidade de resiliência entre as ativistas que vivem a política diariamente, inclusive diante de pressões de grupos conservadores.

A exposição também aborda a repressão de pessoas consideradas dissidentes. Segundo relatos de fotógrafos parceira de ONGs, centenas de pessoas continuam desaparecidas, e muitos casos permanecem sem resposta. A instalação do Memorial da Levante de Julho busca manter viva a memória dessas vidas, em meio a relatos de abusos.

Memorial, museu e narrativa plural

O novo Memorial da Levante de Julho é apresentado como um espaço de memória democrática, com uma narrativa plural que dialoga com diferentes visões sobre a história recente. O diretor Tanzim Wahab aponta a necessidade de contextualizar obras de arte dentro de um panorama crítico, distinguindo-se de abordagens nacionalistas.

Wahab também comanda o National Museum, que abriga obras de arte moderna de Bangladesh. Ele reconhece que o país enfrenta burocracia lenta e carência de profissionais de curadoria, o que dificulta iniciativas de reestruturação museal. Para ele, arte e democracia estão conectadas desde a origem da nação.

Em entrevista, Wahab afirma que restaurar a democracia é essencial para não comprometer a produção artística. Ele sustenta que a prática artística pública reflete experiências vividas e que a atuação de artistas de documentalismo social tem gerado trabalhos significativos.

Indígenas de Bangladesh relatam queda de expectativa com o processo político atual. Um artista CHAJa, que vive na região de Chittagong Hill Tracts, afirma que as mudanças não atingem a comunidade local, que vive sob vigilância restrita. A censura atinge jornalistas, escritores e artistas indígenas.

Joydeb Roaja descreve como memórias da violência na infância influenciam seu trabalho. Suas obras combinam elementos culturais tradicionais com imagens que sugerem tensões militares, em uma linguagem visual sutil. Ele destaca que a visita de estrangeiros a exposições requer negociação cuidadosa de temas sensíveis.

Joydeb lembra que, ao viajar ao exterior, enfrenta questionamentos sobre a relação entre cultura indígena e políticas do país. Em obras recentes apresentadas em Londres, ele retrata casais Chakma em trajes tradicionais, cercados por câmeras, como símbolo da vigilância e da possível perda de identidade local.

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