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Líderes indígenas preocupados, poucos alívios: moratória da soja amazônica falha

Com o fim da Moratória da Soja, risco de desmatamento aumenta em terras indígenas; alguns produtores veem ganho econômico, enquanto comunidades resistem

BRASÍLIA — Indigenous leaders and researchers in Brazil say an end to a key zero-deforestation agreement, the Amazon Soy Moratorium, will increase deforestation around Indigenous lands and encourage the invasion of their territories for soy farming. Already, some are pointing to forest loss advancing near one Indigenous land following efforts to curtail the agreement.
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  • Indígenas e pesquisadores alertam que o fim da Moratória da Soja da Amazônia pode aumentar o desmatamento em torno de terras indígenas e facilitar invasões para a produção de soja.
  • Em 2024, Abiove (Associação de Indústrias de Óleos Vegetais) deixou o pacto; Anec ainda não anunciou saída, mas 13 de seus 24 membros também integram Abiove. O CNA (confederação agropecuária) tem defendido o encerramento da moratória.
  • Um estudo do IPAM projeta que, se o moratória ruir, o desmatamento acumulado até 2045 pode subir 30%, com Amazonas e Acre sendo os estados mais impactados.
  • Líderes indígenas relatam preocupação com aumento da invasão de terras e com chemos e pesticidas que podem contaminar rios; há também relatos de resistência de comunidades ao desmatamento.
  • Governo federal afirmou que o fim da moratória pode elevar pressão sobre áreas desmatadas e que haverá monitoramento ampliado; o estado de Mato Grosso diz que o fim não deve trazer impactos e critica ações paralelas ao código florestal.

O fim da Moratória da Soja na Amazônia pode ampliar o desmatamento em terras indígenas e favorecer a invasão de territórios para a produção de soja, dizem líderes indígenas e pesquisadores no Brasil. A possível dissolução do acordo ocorre em meio a pressões políticas e mudanças no setor agroindustrial.

O Moratória da Soja é um pacto voluntário entre empresas, órgãos públicos e ONGs para reduzir o desmatamento na Amazônia. Participantes se comprometem a excluir da cadeia de suprimentos a soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008.

Entre 2006 e 2023, o cultivo de soja cresceu 361%, com o restante dos anos registrando queda na taxa de desmatamento nos primeiros dez anos após a implementação. O acordo foi elogiado por setores diversos por conciliar expansão agrícola com conservação.

Nos últimos dois anos, lideranças de direita impulsionaram a oposição ao moratória por meio de ações legais. A CNA, entidade de defesa do agronegócio, apoiou a contestação do pacto, alegando sustentabilidade da produção rural na região amazônica.

Em janeiro de 2026, a Abiove, que reúne 18 empresas, anunciou saída do pacto. Anec, signatária, não confirmou ainda a retirada, mas 13 de seus 24 membros também integram a Abiove, segundo o monitoramento do acordo. O desfecho pode afetar até 90% do mercado de soja na Amazônia.

Um estudo do IPAM estima que, se o moratória não for mantido, a desmatação acumulada até 2045 pode aumentar 30%. Amazonas e Acre seriam os estados mais impactados, com elevações previstas de 114% e 70%, respectivamente.

Líderes indígenas destacam preocupação com impactos diretos. O chefe Kayapó Taú Metuktire afirmou que a possível extinção do acordo é motivo de preocupação, citando invasões e uso de pesticidas que atingiriam rios utilizados por comunidades.

Entre os retornos vistos, alguns povos podem enxergar oportunidades econômicas com a retirada do pacto. Comunidades que já comercializam soja em suas terras alegam que o acordo penaliza sua produção, dificultando o acesso a mercados mais amplos.

O caso dos Pareci, no Mato Grosso, é citado por defensores de quem apoia a continuidade da moratória. Arnaldo Zunizakae informou que a comunidade cultiva milhares de hectares de soja em território tradicional e que, segundo ele, a legislação local já permite a atividade em condições reguladas.

Em paralelo, ações governamentais individuais foram discutidas. Em 2024, o estado de Mato Grosso aprovou lei que dificultou o acesso a incentivos fiscais para empresas ligadas ao moratória, segundo críticas de organizações ambientais. Ambientalistas veem nisso uma vantagem para desmatadores.

Autoridades reforçam que a possível finalização da moratória pode aumentar a pressão sobre áreas já desmatadas e estimular a migração da produção para novas áreas. O Ministério do Meio Ambiente destacou que o monitoramento continuará com reforços de fiscalização e controle territorial.

O governo estadual de Mato Grosso afirmou que a extinção da moratória não deve gerar impactos significativos e insistiu que a governança ambiental envolve ações federais. A Abiove garantiu que a produção de soja brasileira manterá padrões socioambientais elevados com o arcabouço regulatório existente.

Indígenas celebram a revogação de decretos que facilitariam dragagem e privatização de rios. Embora celebrassem avanços, líderes ressaltam a necessidade de proteção contínua de terras tradicionais e de consulta às comunidades sobre grandes projetos.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a continuidade ou não da moratória tende a moldar a configuração da produção de soja na região, bem como o papel das comunidades locais na gestão de seus recursos naturais. O Ministério do Meio Ambiente informou que a pulverização de impactos será monitorada e que políticas públicas de comando e controle permanecerão ativas.

O desfecho da Moratória da Soja permanece em aberto, com desdobramentos possíveis para a geografia socioeconômica da Amazônia, para comunidades indígenas e para o mercado global de soja.

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