- A terceira fase da Operação Compliance Zero prendeu Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel e outros investigados, incluindo um coordenador da chamada “Turma” e um policial federal aposentado.
- A apuração aponta uma estrutura com núcleos financeiro, de corrupção, lavagem de dinheiro e intimidação, com monitoramento de autoridades, críticos e jornalistas e acessos indevidos a sistemas de fiscalização.
- Não houve então autoridades com prerrogativa de função entre os alvos, mesmo com a investigação tramitando no STF desde novembro do ano passado.
- A CPI do Crime Organizado convocou para depor ministros do STF e familiares de ministros, gerando críticas sobre a atuação do tribunal diante da pressão parlamentar.
- Defesas afirmam que Vorcaro negou as acusações e que mensagens foram tiradas de contexto; houve ainda bloqueio de ativos superior a R$ 2,2 bilhões e medidas restritivas a outros investigados.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, feita pela Polícia Federal, avançou sobre o escândalo do banco Master. A ação confirma três movimentos estratégicos: ausência de autoridades com foro entre os alvos, pressão por delações premiadas e uma possível resposta jurídica à pressão política da CPI do Crime Organizado. A operação é descrita como um aprofundamento da investigação já em curso.
Entre os alvos estavam o banqueiro Daniel Vorcaro e o cunhado Fabiano Campos Zettel, presos na quarta-feira. Ambos haviam sido convocados para depor na CPI do Crime Organizado no mesmo dia, em Brasília, mas receberam habeas corpus que os autorizou a não comparecer para não comprometerem eventuais provas.
A PF aponta uma estrutura organizada em núcleos financeiro, de corrupção, de lavagem de dinheiro e de intimidação, com monitoramento de autoridades, críticos e jornalistas. Também há referência a acessos ilegais a sistemas de fiscalização. A defesa de Vorcaro negou as acusações, afirmando que as mensagens foram tiradas de contexto. Zettel disse ter se apresentado à polícia sem ter acesso prévio ao objeto da investigação.
Ausência de autoridades com foro entre os alvos tem sido destaque entre analistas. O caso tramita no STF desde novembro, mas até o momento não houve mandados contra autoridades com prerrogativa de função. Parlamentares da CPI tentaram ouvir ministros e familiares ligados a eles, sem incluir formalmente autoridades investigadas.
Especialistas divergem sobre o impacto disso. Alguns apontam que a ausência de autoridades com foro pode indicar limites da fase atual e que o alcance da apuração pode evoluir com delações. Outros acreditam que, mesmo sem foro, a investigação pode se estender a atores de influência nos três poderes.
Foram decretadas prisões preventivas de Vorcaro, Zettel, de um coordenador da chamada “Turma” e de um policial federal aposentado. Também houve o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento de funções públicas de dois ex-servidores do Banco Central e bloqueio de ativos que ultrapassam 2,2 bilhões de reais. Além disso, houve apreensões de celulares e documentos.
Analistas avaliam que o conjunto de medidas restringe a atuação dos investigados e pode acelerar a busca por delações premiadas. A possibilidade de colaboração pode, segundo especialistas, transformar o eixo da investigação e ampliar o alcance para além do núcleo empresarial.
A relação entre a operação e a CPI do Crime Organizado é tema de interpretação entre especialistas. Alguns consideram que a deflagração foi uma resposta do Judiciário às pressões do Legislativo, enquanto outros veem a necessidade de novas informações para entender eventuais vínculos institucionais.
Como começou a Operação Compliance Zero
A primeira fase, deflagrada em novembro de 2025, investigou fraudes estruturais no sistema financeiro, com foco no Banco Master e em Vorcaro, apontado como líder de esquema que movimentou recursos por meio de contabilidade fraudulenta, lavagem de dinheiro e influência indevida sobre agentes públicos. O objetivo era evidenciar um modelo de negócios sustentado por fraudes.
Na segunda fase, em janeiro de 2026, houve aprofundamento para apurar gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e possível cooptação de servidores públicos, incluindo a relação com o Banco Central e com autoridades regulatórias.
A terceira fase, em 4 de março de 2026, marcou o avanço com prisões, bloqueios de ativos e o detalhamento de uma suposta milícia privada para vigiar adversários, críticos da instituição e jornalistas. A ação elevou a dimensão política do caso e aumentou a tensão em Brasília.
Defesa de Vorcaro
A defesa afirmou que as acusações contra Vorcaro são infundadas e que ele coopera com as autoridades, esperando esclarecer plenamente os fatos. A defesa de Zettel também destacou que o empresário se apresentou à polícia sem acesso prévio ao objeto da investigação e que não houve demonstração de intimidação.
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