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Federação com PT divide PSOL e isola grupo de Boulos

PSOL adia federação com o PT após racha interno que isolou grupo de Guilherme Boulos, criando riscos à coligação e à cláusula de barreira

Guilherme Boulos (PSOL), em 2024
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  • PSOL vai decidir sobre a federação com o PT no sábado, 7, em voto que distribui peso entre as correntes, o que pode inviabilizar a federação.
  • A Revolução Solidária é a única corrente a apoiar, com 20% dos afiliados; Primavera Socialista (25%), Movimento Esquerda Socialista (20%) e Fortalecer (10%) são contra.
  • Na terça-feira, 47 afiliados deixaram a Revolução Solidária, afirmando que houve mudança de estratégia de Boulos para aproximar-se de Lula com vistas a eventual indicação em 2030.
  • Parte do PSOL acredita que Boulos quer sair do partido; outra parcela vê apenas disputa política pontual, com apoio de Erika Hilton e Dani Monteiro pela federação.
  • O PT defende a federação para avançar a agenda da esquerda, enquanto o PSOL teme perder autonomia; há impacto potencial em palanques e na cláusula de barreira, mesmo com sinal de apoio de Rede.

O PSOL decidirá neste sábado, 7, sobre a proposta de federação com o PT. A votação ocorre entre as 17 correntes do partido, que terão peso proporcional ao número de filiados, o que pode inviabilizar a aliança. O convite foi feito na última semana.

Dentro da sigla, o grupo ligado a Guilherme Boulos, atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, concentra-se como o principal ponto de tensão. A corrente Revolução Solidária é a única favorável à federação, mas representa apenas 20% do total de filiados.

Na terça-feira, 3, 47 filiados deixaram a Revolução Solidária, segundo nota do grupo. Eles afirmam ter percebido uma mudança de estratégia de Boulos e do núcleo, com a ideia de aproximar o ministro de Lula para viabilizar uma eventual indicação em 2030.

Mudança de curso e leitura interna

Parte dos deputados do PSOL acredita que Boulos tenta deixar o partido. A avaliação é de que o projeto atual pode exprimir a herança eleitoral de Lula, especialmente em ano de disputa presidencial. O PSOL já aprovou resolução para manter independência, inclusive sobre cargos na Esplanada, o que estaria sendo desrespeitado.

Outra ala defende que o ministro não deve abandonar a sigla. Fonte próxima a Boulos diz que não há racha, e sim disputa política pontual. Além dele, apoiam a federação as deputadas Erika Hilton (SP) e Dani Monteiro (RJ).

Procurado, Boulos não comentou até o fechamento desta reportagem.

Contexto estratégico e impactos

A Revolução Solidária descreve a aliança como sinal de unidade política. O PT sustenta que a federação poderia ser movida por uma agenda para o Brasil sem tirar a autonomia do PSOL. O cenário pode provocar atrito com aliados e rivais nas eleições, afetando palanques regionais.

O PSOL hoje forma federação com a Rede. Caso o convite do PT seja aceito, a Rede sinaliza que pode não acompanhar, buscando outro caminho para manter a autonomia da esquerda. A cláusula de barreira é citada como preocupação.

Para apoiar a aliança, o grupo aponta vantagens como ampliação da presença de esquerda e potencial para superar a cláusula de barreira. Contudo, a mudança implicaria novas regras de candidaturas em alianças, com divisão de vagas entre federação e sigla.

O que está em jogo para o eleitor

A federação pode alterar a contagem de votos para o quociente partidário, definindo o número de vagas em disputas legislativas. A regra atual exige que o PSOL eleja mais deputados para manter influência, o que aumenta a complexidade caso integre a federação com outros partidos.

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