- Investigações da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro planejou intimidar o jornalista Lauro Jardim, incluindo a possibilidade de simular um assalto para agredi-lo.
- O objetivo, segundo as mensagens, era silenciar a imprensa e evitar publicações contrárias aos interesses privados de Vorcaro.
- A Turma, grupo que reunia Vorcaro, ex-diretores do Banco Central e um policial civil aposentado, é suspeita de vigilância, monitoramento e consultas ilegais em sistemas de órgãos públicos, com pagamentos que chegariam a até R$ 1 milhão por mês.
- O Globo repudiou as ameaças e a ANJ elogiou a atuação da Polícia Federal e do STF na proteção da liberdade de imprensa.
- A defesa de Vorcaro nega as acusações, afirmando que as mensagens foram tiradas de contexto e que houve apenas desabafo privado, sem intenção de violência.
Nesta quarta-feira (4), mensagens apuradas pela Polícia Federal indicam um plano do empresário Daniel Vorcaro para intimidar o jornalista Lauro Jardim. A ideia seria simular um assalto para agredir fisicamente o colunista, por motivos ligados a reportagens publicadas.
As investigações, iniciadas na Operação Compliance Zero, apontam que o objetivo era silenciar a imprensa e evitar informações contrárias aos interesses privados do banqueiro. Verificou-se a comunicação de que haveria violência para coibir críticas.
O Globo afirmou repudiar as ameaças, classificando-as como ataque à liberdade de imprensa. A ANJ expressou solidariedade e elogiou o trabalho da PF e do STF para assegurar a segurança do jornalista.
Lauro Jardim é uma referência no jornalismo político brasileiro, com atuação desde 1989 no O Globo, passando por IstoÉ, Jornal do Brasil, Exame e Veja, onde comandou a coluna Radar. Em 2015, retornou ao O Globo, mantendo uma coluna com informações de Brasília, economia e negócios.
Trajetória de Lauro Jardim
Jornalista político de grande influência, Jardim iniciou no O Globo e já integrou veículos de destaque ao longo da carreira. Sua linha de atuação concentra-se em bastidores do poder, com reportagem exclusiva sobre economy e políticas públicas.
Detalhes do plano e do grupo
A investigação aponta que Vorcaro discutiu, em grupo de mensagens, a intenção de simular um assalto para agredir Jardim. Em uma conversa, ele afirmou querer “quebrar todos os dentes” do colunista, segundo os registros da PF.
O grupo citado pela PF, denominado A Turma, reunia ex-diretores do Banco Central e um policial civil aposentado. A equipe é investigada por monitoramento, vigilância e consultas ilegais a sistemas de órgãos públicos, como o Ministério Público Federal e a Interpol, com estimativa de até R$ 1 milhão mensais em pagamentos.
Reação e posicionamentos
Além do repúdio do jornal, a Associação Nacional de Jornais reconheceu a importância da atuação das autoridades para assegurar a liberdade de imprensa. A PF não informou novos detalhes neste momento, mantendo o sigilo de diligências.
Defesa de Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro sustenta que não houve intenção real de ameaçar jornalistas e que as mensagens teriam sido retiradas de contexto. Alega que manifestações exaltadas foram desabafos privados, sem objetivo de violência, e afirma confiar na justiça para o esclarecimento dos fatos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para entender o assunto na íntegra, leia a reportagem completa publicada pela instituição.
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