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Brasil investiga banqueiros centrais por ajuda ao Banco Master falido

Reguladores do banco central são acusados de orientar Vorcaro, após mensagens reveladas; crise amplia desconfiança institucional e impacto sobre o FGC

A security guard stands outside Bank Master (Banco Master), following the arrest of the controlling shareholder of lender Banco Master, businessman Daniel Vorcaro, in Sao Paulo
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  • Reguladores seniores do Banco Central são acusados de orientar secretamente o banqueiro Vorcaro, dono do Banco Master, durante a apuração em curso.
  • Vorcaro foi preso em uma etapa da investigação, sob a acusação de suborno a dois ex-diretores do banco central e de planejar ataques e intimidações a adversários.
  • Mensagens apreendidas apontam que Souza e Santana davam dicas sobre preenchimento de documentos regulatórios e revisões antes de serem enviadas ao Banco Central.
  • A decisão judicial que autorizou a operação policial cita evidências de propinas envolvendo contratos simulados usados para transferir recursos aos dois oficiais.
  • A Polícia Federal e o Ministério Público analisam o impacto na credibilidade do Banco Central, após a liquidação do Banco Master e o papel de Vorcaro no escândalo.

A investigação que mira o Banco Master traz à tona a atuação de funcionários da autoridade monetária brasileira. Dois reguladores seniores do Banco Central teriam supostamente prestado orientação a Daniel Vorcaro, empresário ligado ao banco liquidado. A apuração envolve mensagens obtidas em contexto judicial.

Vorcaro foi preso nesta semana, em etapa do inquérito que investiga pagamento de propinas e tentativas de intimidação de pessoas ligadas aos seus interesses. As denúncias avançam em paralelo a investigações sobre fraudes no portfólio de empréstimos do Master e ligações com fundos de pensão.

A Polícia Federal recebeu evidências de que os dois oficiais, ainda lotados no BC, teriam auxiliado Vorcaro em questões regulatórias, inclusive com revisão prévia de filings para o banco. A força-tarefa aponta possíveis pagamentos por meio de contratos simulados.

Os nomes apontados são o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza e a ex-chefe da supervisão bancária, Belline Santana. Ambos teriam atuado em momentos-chave de supervisão antes de deixarem cargos de alta chefia, ainda atuando como servidores.

O BC anunciou que analisará as implicações para a reputação institucional e que eventuais violações serão apuradas com rigor. A instituição destacou que o inquérito federal é essencial para esclarecer os fatos.

A operação policial também reacende críticas sobre o tempo de atuação do BC diante dos problemas do Master. Autoridades e fontes ouvidas mencionam demora na atuação e na liquidação do banco, sob questionamentos de critérios de avaliação.

O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro passado após expansão arriscada. A OBR/Câmara de Auditoria e decisões judiciais que não tinham poder de supervisão bancária já tinham gerado controvérsia sobre o papel regulador.

Em meio ao caso, a decisão sobre a liquidação determinou que clientes do FGC, fundo garantidor de crédito, enfrentariam impacto financeiro relevante. O BC indicou que manterá sob observação a condução de casos semelhantes no sistema financeiro.

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